Despesas públicas superam receita extra do petróleo e elevam déficit
Relatório da IFI aponta que o aumento dos gastos federais em 2026 consome ganhos com petróleo, elevando o déficit estrutural para 1,4% do PIB.
Pontos principais
- Receita líquida do governo cresceu 6% entre janeiro e julho de 2026, enquanto as despesas subiram 6,3% acima da inflação.
- O déficit primário acumulado nos sete primeiros meses de 2026 alcançou R$ 81,2 bilhões.
- O déficit estrutural dobrou em relação ao mesmo período de 2025, atingindo 1,4% do PIB no segundo trimestre.
- O estoque de restos a pagar de R$ 105,5 bilhões cria uma restrição de liquidez superior aos bloqueios orçamentários oficiais.
- O volume de emendas parlamentares supera o limite de pagamento disponível para essas rubricas no orçamento de 2026.
O aumento das despesas públicas superou o crescimento da receita líquida federal no primeiro semestre de 2026, anulando os ganhos obtidos com a alta dos preços do petróleo. Segundo relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI), o governo registrou um déficit primário de R$ 81,2 bilhões até julho, impulsionado por gastos que cresceram 6,3% acima da inflação, enquanto a receita avançou 6%. A deterioração das contas públicas reflete-se no déficit estrutural, que atingiu 1,4% do PIB no segundo trimestre, o dobro do registrado no ano anterior. A situação é agravada por um estoque de restos a pagar de R$ 105,5 bilhões e pelo volume de emendas parlamentares, que excede o limite de pagamento disponível. Esse cenário impõe desafios significativos à gestão fiscal, limitando a margem de manobra do orçamento federal diante das pressões por gastos obrigatórios e discricionários.
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