Pesquisa Quaest aponta que 73% dos eleitores reprovam uso de IA em campanhas
Levantamento revela alta rejeição ao uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, em meio a debates sobre deepfakes e novas regras do TSE para 2026.
Pontos principais
- Apenas 21% dos eleitores brasileiros aprovam o uso de ferramentas de inteligência artificial em campanhas políticas.
- A desaprovação é transversal a todas as faixas etárias, chegando a 76% entre eleitores com mais de 60 anos.
- O debate sobre o tema ganhou urgência após o uso de deepfakes envolvendo a imagem de Jair Bolsonaro em peças de campanha.
- O TSE estabeleceu novas normas que exigem identificação clara de conteúdos sintéticos e proíbem a alteração de voz ou imagem de candidatos.
- Fica proibida a circulação de conteúdos gerados por IA nas 72 horas que antecedem e nas 24 horas posteriores à votação.
- Plataformas digitais devem remover conteúdos que ataquem a integridade do sistema eleitoral ou incitem crimes contra o Estado.
- O uso de IA para criar, substituir ou alterar a imagem ou voz de pessoas para favorecer ou prejudicar candidaturas está vedado pela Justiça Eleitoral.
Uma pesquisa realizada pela Quaest revelou que 73% dos eleitores brasileiros desaprovam a utilização de inteligência artificial nas campanhas eleitorais. O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto, indica que a resistência ao uso da tecnologia é majoritária em todas as faixas etárias, atingindo seu ápice entre o público acima de 60 anos. A percepção pública sobre o tema ocorre em um momento de intenso debate jurídico e político sobre a integridade do processo eleitoral de 2026.
A discussão sobre o uso de IA ganhou tração após episódios envolvendo a disseminação de vídeos gerados por ferramentas sintéticas, incluindo casos de deepfakes que simulam a imagem e a voz de figuras públicas. Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou diretrizes rigorosas para o pleito de 2026. Entre as medidas, destaca-se a obrigatoriedade de identificação clara de qualquer conteúdo gerado por IA e a proibição absoluta de manipulação de imagem ou voz para beneficiar ou prejudicar candidaturas. Além disso, a Justiça Eleitoral proibiu a circulação de materiais sintéticos no período crítico de 72 horas antes e 24 horas após a votação.
Especialistas apontam que, embora a inteligência artificial ofereça potencial para otimização de dados e análise de campanhas, os riscos de desinformação e manipulação digital são vistos como ameaças diretas à transparência. O TSE reforçou que as plataformas digitais possuem responsabilidade na remoção de conteúdos que atentem contra o Estado Democrático de Direito ou a integridade do sistema eleitoral. O cenário reflete a preocupação crescente do eleitorado com a veracidade dos conteúdos consumidos nas redes sociais, enquanto as autoridades buscam equilibrar a inovação tecnológica com a necessidade de garantir a lisura do processo democrático.
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