Relatório aponta que Câmaras Municipais são palco de violência política
Estudo revela que 77% das agressões contra vereadoras ocorrem dentro das Câmaras, afetando majoritariamente mulheres negras.
Pontos principais
- Pesquisa da Rede A Ponte ouviu mais de 70 parlamentares sobre violência política de gênero e raça.
- A violência psicológica é o tipo mais comum, relatada por 89% das vítimas entrevistadas.
- Homens brancos cisgêneros são os autores de oito em cada dez casos de agressão registrados.
- Mulheres ocupam apenas 18,2% das cadeiras nas câmaras municipais brasileiras, segundo o TSE.
O relatório 'Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal', elaborado pela Rede A Ponte, indica que o ambiente legislativo municipal é o principal local de hostilidade contra parlamentares mulheres. Com 77% dos episódios ocorrendo dentro das Câmaras, o levantamento destaca que a violência psicológica é a forma mais frequente de agressão, atingindo 89% das vítimas. O perfil dos agressores é majoritariamente composto por homens brancos cisgêneros, responsáveis por 80% dos casos relatados. A pesquisa ressalta que a sub-representação feminina, que ocupa menos de 20% das cadeiras legislativas locais, é agravada por uma resposta institucional limitada por parte do Estado e dos partidos políticos. Esse cenário de violência sistêmica compromete a permanência e a atuação de mulheres, especialmente negras e indígenas, nos espaços de poder e tomada de decisão no Brasil.
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