Estudo aponta que vida na Terra pode ter surgido duas vezes
Pesquisa sugere que bactérias e arqueias evoluíram de forma independente para se tornarem células autônomas a partir de um ancestral comum.
Pontos principais
- Cientistas da Universidade Heinrich Heine de Düsseldorf analisaram 953 isolados bacterianos e arqueais para reconstruir o metabolismo primitivo.
- O estudo identificou que o LUCA (último ancestral comum universal) possuía apenas metade das enzimas necessárias para o metabolismo atual.
- A transição para a vida autônoma ocorreu em quatro fases, partindo de catalisadores metálicos ambientais até o desenvolvimento de enzimas complexas.
- Bactérias e arqueias desenvolveram enzimas estruturalmente distintas para realizar as mesmas reações metabólicas essenciais.
- Experimentos demonstraram que metais como paládio e níquel, presentes em fontes hidrotermais, podem substituir enzimas em reações de fosforilação.
- A conclusão central é que, embora compartilhem o mesmo código genético, as linhagens bacteriana e arqueal tornaram-se independentes separadamente.
Uma nova pesquisa publicada na revista Science Advances propõe uma mudança significativa na compreensão sobre o surgimento da vida na Terra. Ao reconstruir a rede metabólica de 953 isolados, a equipe liderada pelos biólogos Natalia Mrnjavac e William Martin constatou que o último ancestral comum universal (LUCA) não era uma célula totalmente autônoma, dependendo de metais presentes em fontes hidrotermais para catalisar cerca de metade de suas reações químicas essenciais.
O estudo revela que, após a divergência do LUCA, as linhagens de bactérias e arqueias desenvolveram, de forma independente, sistemas enzimáticos distintos para substituir esses catalisadores minerais. A descoberta de que ambos os grupos criaram soluções estruturalmente diferentes para os mesmos problemas metabólicos indica que a transição para a vida livre ocorreu em dois caminhos evolutivos separados. Segundo os pesquisadores, o cenário mais provável é o de uma origem única para o código genético, mas duas origens distintas para a vida celular independente.
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