EUA revogam visto da embaixadora do Brasil em Washington
O governo americano cancelou o visto de Maria Luiza Viotti como retaliação pela demora do Brasil em aprovar o embaixador indicado por Donald Trump.
Pontos principais
- O Departamento de Estado dos EUA revogou o visto diplomático da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti.
- A medida é uma resposta à demora do Brasil em conceder o agrément ao indicado de Trump, Daniel Perez.
- O governo brasileiro negou as justificativas americanas, classificando-as como falsas e arbitrárias.
- O Itamaraty acusou a administração Trump de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro.
- O Brasil havia negado anteriormente vistos a diplomatas americanos, alegando risco de interferência no sistema eleitoral.
- Autoridades americanas afirmaram que a embaixadora não foi declarada persona non grata e pode permanecer no país.
- O governo brasileiro denunciou a manutenção de sanções da Lei Magnitsky contra autoridades nacionais.
- Especialistas em diplomacia descreveram a revogação como uma medida anômala e sem precedentes.
- A tensão ocorre em um contexto de distanciamento político entre os governos de Lula e Donald Trump.
O governo dos Estados Unidos revogou o visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida que intensifica a crise diplomática entre as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O Departamento de Estado americano justificou a decisão como uma ação de reciprocidade, citando a demora do governo brasileiro em conceder o agrément — o aval diplomático formal — para Daniel Perez, indicado por Trump para chefiar a embaixada em Brasília. Segundo autoridades dos EUA, a medida visa pressionar o Brasil a destravar a nomeação, que se arrasta há semanas.
O Palácio do Planalto repudiou veementemente a decisão, classificando as justificativas americanas como falsas e motivadas por razões ideológicas. Em nota, o Itamaraty afirmou que a revogação do visto configura uma escalada de hostilidades e uma tentativa de interferência direta no processo eleitoral brasileiro, marcado para outubro. O governo brasileiro sustenta que o pedido de agrément para o novo embaixador americano segue em análise técnica, sem prazos estipulados, e que a soberania nacional deve ser respeitada no processo de nomeação.
A tensão entre os dois países tem se agravado nos últimos meses, impulsionada pela negativa do Brasil em conceder vistos a diplomatas americanos que, segundo o governo Lula, planejavam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Além disso, o Brasil tem protestado contra a manutenção de sanções individuais impostas pelos EUA sob a Lei Magnitsky a autoridades brasileiras, incluindo membros da Suprema Corte, decorrentes de condenações por tentativa de golpe de Estado. O presidente Lula tem buscado, sem sucesso até o momento, o levantamento dessas sanções em reuniões diplomáticas.
Analistas de política externa classificam o episódio como um movimento anômalo e gravíssimo, que foge aos protocolos diplomáticos usuais entre nações aliadas. Embora o Departamento de Estado tenha esclarecido que a embaixadora Maria Luiza Viotti não foi declarada persona non grata e pode permanecer em solo americano, a revogação do visto impõe restrições severas à sua mobilidade, exigindo uma nova solicitação caso ela precise deixar o país e retornar. O impasse reflete o aprofundamento do distanciamento político entre Brasília e Washington, impactando não apenas a representação diplomática, mas também as relações comerciais e a cooperação bilateral em temas estratégicos.
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