Fifa desiste de plano para vender 20% de seus direitos comerciais
Após forte oposição de confederações, Gianni Infantino abandonou o projeto de privatização parcial da entidade e a criação da Fifa Forward Enterprise.
Pontos principais
- O plano previa a criação da subsidiária Fifa Forward Enterprise para gerir direitos comerciais de torneios como a Copa do Mundo.
- A proposta visava levantar US$ 4,2 bilhões com a venda de 20% de participação a investidores privados, incluindo o fundo de Joshua Kushner.
- Confederações como a Uefa, Concacaf e AFC ameaçaram boicotar competições da Fifa caso o modelo avançasse.
- A pressão interna forçou a Fifa a abandonar a iniciativa apenas cinco dias após sua divulgação inicial.
- O assessor de Infantino, Carlos Cordeiro, renunciou ao cargo em meio às críticas sobre governança e conflitos de interesse.
- A Fifa confirmou oficialmente o recuo, mas não detalhou se buscará alternativas para a captação de recursos prevista no plano original.
- O episódio enfraquece a posição de Gianni Infantino antes da eleição para o quarto mandato na presidência da Fifa, prevista para 2026.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, recuou de uma proposta polêmica que visava privatizar parte das operações comerciais da entidade. O plano, desenvolvido com o auxílio do banco JP Morgan, pretendia criar a subsidiária 'Fifa Forward Enterprise' para administrar direitos de torneios como a Copa do Mundo, vendendo 20% de seu capital a investidores externos, como o fundo Thrive Eternal, de Joshua Kushner. A estratégia buscava captar US$ 4,2 bilhões e expandir o calendário de competições globais, mas enfrentou resistência imediata de confederações continentais, incluindo a Uefa e a Concacaf, que viram na medida uma tentativa perigosa de centralizar e monetizar o futebol mundial através de capital privado.
Além da ameaça de boicotes por parte das associações nacionais, o projeto foi alvo de questionamentos sobre governança e possíveis conflitos de interesse envolvendo a família do presidente dos EUA, Donald Trump. A pressão interna, que culminou na renúncia do assessor Carlos Cordeiro, forçou o abandono da iniciativa em apenas cinco dias. A Fifa confirmou oficialmente o cancelamento da proposta, marcando um recuo significativo na estratégia financeira da organização para os próximos ciclos, embora a entidade não tenha detalhado se buscará fontes alternativas de financiamento.
O episódio gera um desgaste político significativo para o presidente da Fifa, que agora enfrenta um cenário de instabilidade interna às vésperas da eleição para o seu quarto mandato, marcada para março de 2026. A tentativa de reformulação comercial, que ignorou consultas prévias às associações nacionais, deixou claro o descontentamento das federações com o modelo de gestão centralizador adotado pela atual administração da entidade. A rápida derrocada do projeto evidenciou a fragilidade da articulação política de Infantino junto às confederações afiliadas, que rejeitaram a entrada de investidores externos na estrutura de governança do futebol.
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