Quem é Gianni Infantino
Gianni Infantino é o presidente da FIFA, a entidade que organiza a Copa do Mundo e governa o futebol mundial. Advogado suíço-italiano, comandou a federação a partir de fevereiro de 2016, quando foi eleito para substituir Joseph Blatter no auge da crise de corrupção que derrubou a cúpula anterior da entidade. Em julho de 2026, enfrentou a maior crise de seu mandato ao propor — e depois abandonar — um plano para vender a investidores privados uma fatia dos direitos comerciais da Copa do Mundo.
Giovanni Vincenzo Infantino nasceu em 23 de março de 1970 em Briga, no cantão do Valais, na Suíça. É filho de pai italiano, natural de Reggio Calábria, e de mãe originária do Val Camonica, na Lombardia — origem que lhe garante as nacionalidades suíça e italiana. Em fevereiro de 2026 obteve também a cidadania libanesa.
Estudou Direito na Universidade de Friburgo, na Suíça, e construiu a carreira inteira na administração do futebol, nunca como jogador ou treinador. Vive em Zug, na Suíça.
De qual país é Infantino
Ele é suíço de nascimento e italiano por descendência paterna. É comum a confusão sobre sua origem porque ele transita entre os dois países e fala fluentemente as línguas de ambos: nasceu e cresceu na Suíça, em uma região de forte imigração italiana, e mantém os dois passaportes.
Carreira: da UEFA à presidência da FIFA
Infantino entrou na UEFA, a confederação europeia, em agosto de 2000, para trabalhar na área jurídica. Em janeiro de 2004 assumiu a direção de assuntos legais e licenciamento de clubes e, em 2007, tornou-se secretário-geral adjunto. De outubro de 2009 até 2016 foi secretário-geral da UEFA — o principal cargo executivo da entidade —, período em que ficou conhecido do público por conduzir os sorteios da Liga dos Campeões.
Sua chegada à FIFA veio pela porta da crise. Com Joseph Blatter afastado e a entidade sob investigação de autoridades americanas e suíças, o Congresso Extraordinário de 26 de fevereiro de 2016 elegeu Infantino presidente. Ele venceu na segunda rodada de votação, com 115 votos contra 88 do xeique Salman bin Ibrahim Al-Khalifa, então presidente da Confederação Asiática.
Mandatos e reeleições
Depois da eleição de 2016, Infantino foi reeleito duas vezes sem enfrentar oposição real:
- 5 de junho de 2019, em Paris, como candidato único.
- 16 de março de 2023, no 73º Congresso da FIFA, em Kigali, Ruanda, por aclamação — sem disputa e sem votação formal. O mandato então iniciado vai até 2027.
Na ocasião da reeleição em Kigali, ele afirmou que ser presidente da FIFA é "uma honra incrível, um privilégio incrível, e também uma grande responsabilidade", e prometeu seguir "servindo as 211 associações-membro".
O plano de vender 20% da Copa do Mundo
Poucas semanas depois da final da Copa do Mundo de 2026, a FIFA apresentou às federações um projeto para criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que concentraria a exploração comercial dos torneios da entidade — direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria. A empresa seria avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, e 20% dela seria vendido a investidores privados por aproximadamente US$ 4,2 bilhões. O investidor-âncora seria a Thrive, gestora sediada em Nova York e ligada a Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump.
A reação foi imediata e quase unânime entre as confederações:
- Em 30 de julho de 2026, as 55 federações da UEFA decidiram em reunião de emergência boicotar competições da FIFA enquanto o projeto estivesse de pé, sob o argumento de que "algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas".
- A Concacaf e a Confederação Asiática (AFC) também rejeitaram a proposta.
- Em 31 de julho, Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino desde 2021 e ex-presidente da federação americana, renunciou em protesto: "Não posso ficar parado enquanto a FIFA considera vender uma fatia da Copa do Mundo."
- Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, divulgou uma declaração afirmando que o projeto era "de uma pessoa só" e que os funcionários haviam sido enganados quanto ao seu alcance.
No mesmo 31 de julho, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, empossado poucas semanas antes, tornou-se o primeiro chefe de governo de um país de peso a pedir a saída de Infantino. Chamou a proposta de "sugestão ultrajante" e disse que ela mostra que "o presidente da FIFA é o homem errado para liderar a organização", acrescentando que "o futebol não pertence a investidores, pertence às pessoas".
Ainda em 31 de julho, em entrevista à Sky News, Infantino anunciou que o projeto não seguiria adiante. Disse que, "depois de ouvir com atenção todas as posições, ficou claro que o projeto criou divisões" — divisões que, segundo ele, deixaram de servir ao objetivo original da proposta. Donald Trump negou ter discutido o plano com o dirigente.
Quanto ganha o presidente da FIFA
A FIFA divulga a remuneração de seus dirigentes desde 2019. Pelo relatório de governança publicado em junho de 2026, Infantino recebeu cerca de US$ 4,8 milhões referentes a 2025 — aproximadamente R$ 25 milhões —, compostos por um salário-base de US$ 2,6 milhões e um bônus variável de US$ 2,2 milhões. É um salto expressivo em relação a 2024, quando o total ficou em torno de US$ 2,9 milhões; o aumento veio quase todo da parcela variável, que não é fixa e depende de critérios definidos pela entidade.
Infantino já foi jogador de futebol?
Não. Ele jogou futebol amador quando criança e adolescente em Briga, sua cidade natal, mas nunca atuou profissionalmente. Toda a sua trajetória no esporte é administrativa e jurídica: formou-se em Direito e entrou no futebol pelo departamento legal da UEFA.
Quais idiomas Infantino fala
Infantino tem o francês, o alemão e o italiano como línguas maternas — reflexo da Suíça multilíngue e da origem italiana da família — e fala ainda inglês, espanhol, português e árabe. O português aparece com frequência em suas aparições públicas no Brasil e em Portugal, o que costuma chamar atenção: ele concede entrevistas e faz discursos no idioma sem intérprete.
Relação com Donald Trump
A proximidade de Infantino com Donald Trump é um dos traços mais comentados de sua gestão recente, em parte porque a Copa do Mundo de 2026 foi sediada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Em dezembro de 2025, a FIFA concedeu a Trump a primeira edição de seu Prêmio da Paz. Em julho de 2026, a entidade suspendeu a punição por cartão vermelho do atacante Folarin Balogun após uma ligação do presidente americano. A relação voltou ao centro do debate quando se soube que o investidor-âncora do plano de venda de ativos seria uma gestora ligada à família Kushner.
Polêmicas
Além da tentativa frustrada de abrir o capital da exploração comercial da Copa, a gestão de Infantino acumula episódios controversos:
- Encontros com o procurador-geral suíço. Infantino é investigado na Suíça por reuniões não declaradas com Michael Lauber, então procurador-geral do país, entre 2016 e 2017 — período em que a própria FIFA era alvo de investigações de corrupção conduzidas por aquele gabinete.
- Copa do Mundo do Catar (2022). Na véspera do torneio, fez um discurso em que acusou os críticos europeus do país-sede de hipocrisia, em uma fala que se tornou um dos momentos mais debatidos de sua presidência.
- Elogios à Copa de 2018 na Rússia, mesmo diante das denúncias de corrupção que cercaram a escolha da sede.
Esposa e família
Infantino é casado com Leena Al Ashqar, libanesa, com quem tem quatro filhos. A família mantém residência na Suíça. Foi por esse vínculo que ele obteve, em fevereiro de 2026, também a cidadania libanesa.
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