Uefa e Concacaf boicotam competições da Fifa contra privatização
Federações europeias e da América do Norte rejeitam plano da Fifa de vender participações em torneios a investidores privados, ameaçando o calendário global.
Pontos principais
- A Uefa e suas 55 associações-membro votaram unanimemente pelo boicote a torneios da Fifa.
- A Concacaf também rejeitou formalmente a proposta após reunião com suas 41 federações.
- O plano da Fifa prevê a criação da 'Fifa Forward Enterprise' (FFE) para captar US$ 4,2 bilhões.
- A estrutura comercial é avaliada em US$ 20 bilhões e visa vender 20% de participação a investidores.
- A gestora de capital de risco Thrive Eternal, de Joshua Kushner, é cotada para liderar o investimento.
- Entidades criticam a falta de transparência, ausência de devido processo e prazos curtos para aprovação.
- Gianni Infantino estabeleceu o dia 19 de setembro como prazo final para a votação do projeto.
- O impasse coloca em risco a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil.
- Dirigentes da Uefa discutem alternativas de liderança para a Fifa em oposição a Infantino.
- A Fifa oferece incentivos financeiros de até US$ 40 milhões para federações que apoiarem a medida.
O futebol mundial enfrenta uma crise institucional sem precedentes após a Uefa e a Concacaf rejeitarem formalmente o plano da Fifa de criar a 'Fifa Forward Enterprise' (FFE). A proposta, liderada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, visa centralizar os direitos comerciais de torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes em uma nova subsidiária, permitindo a venda de até 20% de participação para investidores privados. A expectativa da entidade é arrecadar US$ 4,2 bilhões, com o negócio avaliado em US$ 20 bilhões. Contudo, a iniciativa encontrou resistência imediata das principais confederações, que classificam a medida como uma mercantilização inaceitável do esporte.
As 55 associações que compõem a Uefa votaram unanimemente pelo boicote a todas as competições organizadas pela Fifa caso o projeto avance. A Concacaf, que reúne 41 federações nas Américas do Norte e Central, seguiu o mesmo caminho, citando falta de transparência, governança inadequada e a ausência de consulta prévia às entidades continentais. A tensão é agravada pela participação da gestora de capital de risco Thrive Eternal, liderada por Joshua Kushner, no consórcio de investidores, o que gerou questionamentos sobre a influência política e a independência da gestão do futebol.
O impasse coloca em xeque o calendário internacional de competições. A ameaça de boicote europeu e norte-americano coloca em risco a viabilidade de eventos futuros, incluindo a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, e torneios de base. A Uefa, que possui um número significativo de seleções classificadas para as competições da Fifa, tornou-se o principal obstáculo para que Infantino obtenha a maioria simples necessária entre os 211 membros da entidade até o prazo final de 19 de setembro.
Em resposta à resistência, a Fifa tem tentado angariar apoio oferecendo incentivos financeiros de até US$ 40 milhões para federações que votarem a favor da FFE. A estratégia, porém, tem sido recebida com críticas severas, com dirigentes europeus classificando a manobra como uma forma de intimidação. Nos bastidores, a oposição já discute alternativas para a presidência da Fifa, com nomes como Nasser Al-Khelaifi sendo ventilados como possíveis opositores a Infantino na eleição de 2027, refletindo o profundo desgaste na relação entre a cúpula da Fifa e as confederações continentais.
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