Fifa planeja captar US$ 4,2 bilhões com venda de ativos comerciais
Entidade criará a Fifa Forward Enterprise para atrair capital privado, gerando forte resistência da Uefa e ameaças de boicote a competições.
Pontos principais
- A Fifa pretende vender participação minoritária na nova subsidiária Fifa Forward Enterprise (FFE).
- A operação visa arrecadar até US$ 4,2 bilhões para financiar o programa de desenvolvimento Fifa Fast-Forward.
- O novo empreendimento comercial tem valuation estimado em US$ 20 bilhões.
- O banco JP Morgan assessora a operação, com a holding Thrive Eternal liderando o grupo de investidores.
- A Uefa criticou a iniciativa, argumentando que a governança do futebol não deve ser um ativo negociável.
- Países europeus ameaçam boicotar a Copa do Mundo de 2030 como forma de protesto contra o plano.
- A Fifa manterá o controle majoritário e a autoridade sobre competições e calendários esportivos.
A Fifa anunciou planos para captar até US$ 4,2 bilhões através da criação de uma nova subsidiária comercial, a Fifa Forward Enterprise (FFE). Esta iniciativa marca uma mudança histórica no modelo de financiamento da entidade, que, após 122 anos operando como uma organização sem fins lucrativos, busca agora atrair capital privado para gerir seus direitos de transmissão e patrocínios. A operação, assessorada pelo banco JP Morgan, conta com a holding Thrive Eternal como principal investidora e visa fortalecer o programa de auxílio às 211 federações membro. A avaliação de mercado da nova empresa é estimada em US$ 20 bilhões. Para garantir a viabilidade do projeto, a Fifa tem oferecido pacotes de incentivos financeiros significativos às associações nacionais, buscando apoio para a reestruturação de seu modelo de negócios. A entidade reforça que, apesar da entrada de investidores externos, manterá o controle majoritário e a governança sobre todas as competições e calendários oficiais. O movimento é impulsionado pelo desempenho comercial da Copa do Mundo de 2026, que serviu como benchmark para a nova estratégia. No entanto, a proposta enfrenta forte oposição da Uefa, que classificou a medida como uma mercantilização perigosa da governança esportiva. O conflito escalou para ameaças de boicote por parte de países europeus, que questionam a influência de investidores privados sobre o futuro do futebol mundial. A tensão é agravada pela expansão do Mundial de Clubes, que compete diretamente com a Liga dos Campeões da Uefa, e pelas preocupações de sindicatos de atletas quanto ao desgaste físico causado pelo aumento no número de torneios internacionais. A implementação do plano ainda depende da aprovação formal do Conselho da Fifa e da maioria das federações-membro.
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