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Fifa planeja captar US$ 4,2 bilhões com venda de ativos comerciais

Entidade criará a Fifa Forward Enterprise para atrair capital privado, gerando forte resistência da Uefa e ameaças de boicote a competições.

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Foto: InvestNews
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28/07 às 11:45 · atualizado 21:01

Pontos principais

  • A Fifa pretende vender participação minoritária na nova subsidiária Fifa Forward Enterprise (FFE).
  • A operação visa arrecadar até US$ 4,2 bilhões para financiar o programa de desenvolvimento Fifa Fast-Forward.
  • O novo empreendimento comercial tem valuation estimado em US$ 20 bilhões.
  • O banco JP Morgan assessora a operação, com a holding Thrive Eternal liderando o grupo de investidores.
  • A Uefa criticou a iniciativa, argumentando que a governança do futebol não deve ser um ativo negociável.
  • Países europeus ameaçam boicotar a Copa do Mundo de 2030 como forma de protesto contra o plano.
  • A Fifa manterá o controle majoritário e a autoridade sobre competições e calendários esportivos.

A Fifa anunciou planos para captar até US$ 4,2 bilhões através da criação de uma nova subsidiária comercial, a Fifa Forward Enterprise (FFE). Esta iniciativa marca uma mudança histórica no modelo de financiamento da entidade, que, após 122 anos operando como uma organização sem fins lucrativos, busca agora atrair capital privado para gerir seus direitos de transmissão e patrocínios. A operação, assessorada pelo banco JP Morgan, conta com a holding Thrive Eternal como principal investidora e visa fortalecer o programa de auxílio às 211 federações membro. A avaliação de mercado da nova empresa é estimada em US$ 20 bilhões. Para garantir a viabilidade do projeto, a Fifa tem oferecido pacotes de incentivos financeiros significativos às associações nacionais, buscando apoio para a reestruturação de seu modelo de negócios. A entidade reforça que, apesar da entrada de investidores externos, manterá o controle majoritário e a governança sobre todas as competições e calendários oficiais. O movimento é impulsionado pelo desempenho comercial da Copa do Mundo de 2026, que serviu como benchmark para a nova estratégia. No entanto, a proposta enfrenta forte oposição da Uefa, que classificou a medida como uma mercantilização perigosa da governança esportiva. O conflito escalou para ameaças de boicote por parte de países europeus, que questionam a influência de investidores privados sobre o futuro do futebol mundial. A tensão é agravada pela expansão do Mundial de Clubes, que compete diretamente com a Liga dos Campeões da Uefa, e pelas preocupações de sindicatos de atletas quanto ao desgaste físico causado pelo aumento no número de torneios internacionais. A implementação do plano ainda depende da aprovação formal do Conselho da Fifa e da maioria das federações-membro.

Fonte primária

FIFA

FIFA intends to expand football development funding to over USD 10 billion subject to approval by FIFA Member Associations

FIFA anuncia a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que consolidaria os direitos comerciais da entidade (transmissão, patrocínio, bilheteria, licenciamento) com a operação de seus torneios. A FFE buscaria captar até US$ 4,2 bilhões ainda em 2026 vendendo participações minoritárias e não controladoras a investidores de longo prazo, com valuation inicial implícito de US$ 20 bilhões. A Thrive Eternal, holding de capital permanente ligada a Joshua Kushner, deve liderar o grupo de investidores; Greg Maffei (CEO da BANN Ventures, ex-Liberty Media) atua como assessor comercial-chave; J.P. Morgan foi contratado para conduzir o processo, com a OpenEconomics também engajando investidores em potencial na Europa, Américas, Ásia e África. Os recursos reformulariam o programa FIFA Forward: US$ 20 milhões opcionais por associação membro (211 ao todo) via o novo FIFA Fast Forward Programme, mais US$ 20 milhões/associação em 2027-2030 (ante US$ 8 milhões atuais), US$ 22 milhões em 2031-2034 e US$ 24 milhões em 2035-2038 — total que a FIFA diz superar US$ 10 bilhões em quatro anos, o maior compromisso do tipo já feito por uma organização esportiva. A FIFA afirma que manteria controle exclusivo da FFE via maioria no conselho e autoridade regulatória e esportiva plena; investidores teriam apenas participação minoritária, sem papel operacional, e estariam investindo na subsidiária, não na FIFA em si. A proposta depende de aprovação da maioria das 211 associações membro e do Conselho da FIFA. O presidente Gianni Infantino descreve o plano como "democratização do futebol mundial", citando as estreias de Cabo Verde e Curaçao na Copa de 2026 como prova do impacto dos programas de desenvolvimento.

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