Estudo aponta impactos psicológicos da fome além da privação física
Pesquisa do Jornal da USP revela que a insegurança alimentar gera sentimentos de vergonha e desamparo, afetando a dignidade e a integração social.
Pontos principais
- A fome é classificada como uma forma de violência que ultrapassa a necessidade biológica de nutrientes.
- Indivíduos em situação de insegurança alimentar relatam sentimentos profundos de culpa, vergonha e desamparo.
- O fenômeno compromete a autoestima e a percepção do indivíduo como parte integrante da sociedade.
- Especialistas defendem políticas públicas que considerem a dimensão subjetiva e psicológica da pobreza.
Um estudo multidisciplinar publicado pelo Jornal da USP destaca que a fome deve ser compreendida para além da privação de nutrientes, sendo uma forma de violência que impacta diretamente a saúde mental e a dignidade humana. A análise aponta que a insegurança alimentar provoca sentimentos persistentes de vergonha, culpa e desamparo, prejudicando a identidade do indivíduo e sua capacidade de integração social. Ao comprometer a autoestima, a fome atua como um mecanismo de exclusão que isola as pessoas de suas comunidades. Diante desses achados, pesquisadores enfatizam a necessidade de que as políticas públicas de combate à pobreza não se limitem ao fornecimento de alimentos, mas que também incorporem uma abordagem sensível às dimensões subjetivas e psicológicas dos afetados, visando a preservação da dignidade humana e a reintegração social plena dos cidadãos.
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