Governo Trump impõe tarifas de até 12,5% contra 60 países
A medida, que entra em vigor nesta sexta-feira, justifica-se por investigações sobre trabalho forçado e atinge 99,4% das importações americanas.
Pontos principais
- A nova sobretaxa de 12,5% para o Brasil e 10% para outras nações entra em vigor nesta sexta-feira (24).
- A medida abrange mais de 60 países, incluindo membros da União Europeia, China, Japão e Índia.
- O governo americano utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio para justificar as tarifas sob alegação de combate ao trabalho forçado.
- Produtos brasileiros como alumínio, algodão, eletrônicos e baterias de lítio estão entre os itens listados na investigação.
- A nova alíquota pode elevar a carga tributária acumulada sobre produtos brasileiros para até 37,5%.
- O governo brasileiro classificou a decisão como arbitrária e acusou os EUA de protecionismo sob o pretexto de direitos humanos.
- A ação ocorre após a Suprema Corte dos EUA ter anulado tentativas anteriores do Executivo de aplicar tarifas generalizadas.
O governo do presidente Donald Trump anunciou a implementação de uma nova rodada de tarifas alfandegárias que atinge 99,4% das importações dos Estados Unidos. A medida, que entra em vigor nesta sexta-feira (24), impõe alíquotas entre 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de mais de 60 nações, incluindo o Brasil. A administração americana justifica a decisão com base em investigações da Seção 301 da Lei de Comércio, alegando que os países parceiros falharam em coibir o uso de trabalho forçado em suas cadeias de suprimentos, o que, segundo Washington, gera competição desleal no mercado interno. No caso brasileiro, a nova taxa de 12,5% incide sobre setores estratégicos como alumínio, algodão, eletrônicos e baterias de lítio, podendo elevar a carga tributária acumulada sobre esses bens a 37,5% quando somada a tarifas prévias. O governo brasileiro reagiu prontamente, classificando a medida como uma retaliação unilateral e um expediente protecionista que utiliza temas sensíveis de direitos humanos para contornar decisões judiciais anteriores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a iniciativa é uma tentativa de retomar, por via administrativa, taxas que haviam sido derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. Em resposta, o Itamaraty declarou que pretende acionar instrumentos de reciprocidade comercial. Analistas apontam que a decisão marca um novo capítulo na política comercial de Donald Trump, que busca consolidar uma barreira tarifária robusta mesmo diante de limitações impostas pelo Judiciário ao poder executivo. A medida gera incerteza nos mercados globais, uma vez que a abrangência da taxação atinge desde grandes potências como China e membros da União Europeia até parceiros regionais, sinalizando um endurecimento na postura protecionista da Casa Branca em relação ao comércio internacional.
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