Governo Trump prepara novas tarifas para 60 países ainda esta semana
O governo dos EUA planeja impor novas taxas comerciais a dezenas de nações, incluindo o Brasil, sob o argumento de combater o trabalho forçado.
Pontos principais
- O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, confirmou que novas tarifas serão anunciadas em breve.
- A medida deve impactar cerca de 60 países, com o Brasil podendo sofrer uma sobretaxa adicional de 12,5%.
- A iniciativa utiliza investigações sobre trabalho forçado nas cadeias produtivas como base jurídica.
- O anúncio ocorre antes da expiração da tarifa global temporária de 10%, prevista para o final desta semana.
- O governo americano busca substituir o regime tarifário atual após decisões judiciais anteriores.
- A estratégia integra uma política protecionista mais ampla, que também inclui taxas de 50% sobre produtos canadenses.
O governo do presidente Donald Trump prepara uma nova rodada de tarifas comerciais que deve atingir cerca de 60 países ainda nesta semana. Segundo o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a medida é fundamentada em investigações sobre o uso de trabalho forçado em cadeias produtivas globais. A decisão visa pressionar nações a eliminarem práticas de trabalho análogo à escravidão, embora analistas apontem que a estratégia também serve para contornar decisões judiciais que derrubaram tentativas anteriores de tarifas recíprocas.
Para o Brasil, a previsão é de um impacto direto, com a possibilidade de uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos exportados. O anúncio coincide com o fim da vigência da tarifa global temporária de 10%, que expira na próxima sexta-feira. O governo americano tem utilizado o mecanismo de investigação comercial como uma ferramenta central para reestruturar o cenário de importações, buscando maior controle sobre o conteúdo regional e a proteção da indústria interna frente à concorrência internacional.
A escalada protecionista da administração Trump não se limita a este grupo de 60 países. Paralelamente, o governo defendeu a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos do Canadá e sinalizou que não pretende renovar o acordo de livre comércio USMCA com México e Canadá. Essas movimentações ocorrem em um momento de tensões geopolíticas e pressões internas, onde o custo de vida e as eleições legislativas de novembro limitam a margem de manobra da Casa Branca para uma guerra comercial prolongada. A lista de produtos afetados pelas novas medidas deve incluir itens como laticínios, bebidas alcoólicas e equipamentos esportivos.
Fontes primárias
Greer hints new Trump tariffs coming on dozens of countries: 'Expect action soon'
Em entrevista ao vivo no Squawk Box da CNBC (terça-feira, 21 de julho de 2026), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sinalizou que uma nova rodada de tarifas de Trump está a caminho, coincidindo com a expiração na sexta-feira da tarifa global temporária de 10% (Seção 122, imposta em fevereiro após a Suprema Corte invalidar o regime de tarifas recíprocas 'liberation day'). Questionado se novas tarifas estavam no horizonte, Greer respondeu: "We expect to see some action soon" ("Esperamos ver alguma ação em breve"), afirmando não poder especificar prazo por conta de compromissos de briefing com o Congresso antes de qualquer anúncio formal. Sobre a base legal, Greer citou a proposta de tarifas via Seção 301 (apresentada pelo USTR no início de junho, com taxas de até 12,5% sobre 60 economias, justificada por alegações de práticas de trabalho forçado no exterior), afirmando que essas tarifas propostas cobririam "about 99% of our trade". Greer declarou: "The U.S. has laws to prohibit trading goods with forced labor. Other countries, most don't have a law. Those that do don't really enforce it." Segundo a Reuters, citada na mesma reportagem, qualquer tarifa anunciada no curto prazo tenderia a igualar o patamar atual de 10%, enquanto o governo conduz investigações paralelas para embasar legalmente taxas mais altas no futuro.
USTR Makes Findings and Proposes Action in 60 Section 301 Investigations Relating to Failures to Take Action on Trade in Forced Labor Goods
Em 2 de junho de 2026, o USTR determinou, sob a Seção 301 do Trade Act de 1974, que a falha de 60 economias em impor e fiscalizar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado é irrazoável e onera o comércio dos EUA, sendo portanto acionável. O embaixador Jamieson Greer declarou: "The failure of our most important trading partners to address the importation of goods made with forced labor is unacceptable. This creates a dynamic where American workers are forced to compete globally on an unlevel playing field. We will no longer tolerate this disparity." Como resposta, o USTR propôs tarifa adicional de 10% para economias que já impõem proibição de importação de bens com trabalho forçado (ou que se comprometeram a isso via Acordo de Comércio Recíproco), e de 12,5% para as demais — entre elas o Brasil, listado no grupo de 54 economias que "falharam em impor e fiscalizar efetivamente" a proibição (ao lado de China, Índia, Rússia, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e outros). O aviso no Federal Register (5 de junho de 2026) detalha a determinação e as ações propostas; prazo para comentários públicos foi até 6 de julho, com audiências públicas realizadas de 7 a 9 de julho de 2026 na U.S. International Trade Commission.
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