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França aprova lei que proíbe redes sociais para menores de 15 anos

O Parlamento francês aprovou legislação inédita na União Europeia que veda o acesso de menores de 15 anos a redes sociais, com entrada em vigor prevista para setembro.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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21/07 às 18:01 · atualizado 22/07 às 11:58

Pontos principais

  • A nova lei exige que plataformas digitais implementem mecanismos rigorosos de verificação de idade.
  • A medida visa proteger crianças e adolescentes de danos à saúde mental, como depressão e anorexia.
  • A França torna-se o primeiro país da União Europeia a adotar uma proibição desta natureza.
  • O projeto é uma iniciativa emblemática do governo de Emmanuel Macron.
  • A legislação ainda passará por revisão de constitucionalidade antes de sua implementação final.
  • A norma também reforça restrições ao uso de celulares em escolas de ensino médio no país.
  • Parlamentares da oposição questionaram a viabilidade técnica e a constitucionalidade da medida.

O Parlamento francês aprovou, nesta terça-feira (21), uma legislação pioneira na União Europeia que proíbe o acesso de menores de 15 anos a plataformas de redes sociais. A medida, que ainda aguarda revisão de constitucionalidade, tem previsão de entrada em vigor para 1º de setembro. O objetivo central da iniciativa é mitigar os impactos negativos do ambiente digital no desenvolvimento infantil, combatendo problemas como automutilação, depressão e exposição a conteúdos nocivos.

Sob as novas regras, as empresas de tecnologia serão obrigadas a implementar sistemas robustos de verificação de idade para garantir que usuários abaixo da faixa etária permitida não acessem os serviços. A proposta, que faz parte de uma agenda de proteção digital defendida pelo governo de Emmanuel Macron, também inclui restrições ao uso de celulares em escolas de ensino médio, exceto para finalidades pedagógicas ou científicas. Embora a medida tenha sido celebrada por defensores da saúde mental, parlamentares do partido França Insumisa expressaram ressalvas quanto à viabilidade técnica da aplicação da lei e possíveis implicações constitucionais.

A decisão francesa reflete um movimento global de maior escrutínio sobre o poder dos algoritmos e a segurança de jovens no ambiente online. Enquanto a Austrália já possui restrições em vigor para menores de 16 anos, outros países, como Reino Unido, Indonésia e Turquia, também avançam com legislações similares ou propostas de controle. Nos Estados Unidos, o debate tramita no Congresso através do projeto 'Kids Off Social Media Act'. A iniciativa da França estabelece um precedente regulatório significativo para o bloco europeu, alinhando-se às discussões sobre a Lei de Serviços Digitais da União Europeia e pressionando por uma maior responsabilidade das plataformas na proteção de usuários menores de idade.

Fonte primária

Assemblée Nationale

Texte adopté n° 339 — Proposition de loi visant à protéger les mineurs des risques auxquels les expose l'utilisation des réseaux sociaux (texte définitif)

Texto definitivo (idêntico ao votado pelo Senado, T.A. nº 163) adotado pela Assembleia Nacional em 21 de julho de 2026, encerrando o processo legislativo iniciado com o depósito do projeto em 18 de novembro de 2025. O Artigo 1º insere na lei nº 2004-575 (confiança na economia digital) o novo artigo 6-9: "L'accès à un service de réseaux sociaux en ligne fourni par une plateforme en ligne est interdit aux mineurs de quinze ans" — acesso a redes sociais online proibido a menores de 15 anos. Ficam isentas enciclopédias online, repositórios educativos/científicos e plataformas de desenvolvimento de software livre ou projetos digitais educativos de código aberto. A regra entra em vigor em 1º de setembro de 2026 para novas contas; contas já existentes têm prazo de 4 meses a partir dessa data (ou seja, até ~1º de janeiro de 2027) para se adequar. Vale também para Nova Caledônia, Polinésia Francesa e Wallis-e-Futuna. O Artigo 6 (ex-Artigo 3) altera o código da educação: estende a proibição de celulares — já vigente em escolas primárias e colégios — também aos liceus (ensino médio), com modalidades definidas pelo regimento interno; e passa a exigir que o projeto pedagógico da escola inclua ações de conscientização sobre efeitos nocivos do uso excessivo de telas e caráter aditivo das redes sociais. Essa parte entra em vigor no início do ano letivo 2026-2027. Deliberado em sessão pública em Paris em 21/07/2026, assinado pela Presidente da Assembleia, Yaël Braun-Pivet.

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