Preço do petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã e bloqueio em Ormuz
Escalada militar no Oriente Médio e fechamento do Estreito de Ormuz elevam preços do petróleo, pressionando a inflação e o mercado de combustíveis.
Pontos principais
- O petróleo Brent atingiu US$ 84,95 e o WTI US$ 79,60 após a intensificação dos ataques dos EUA contra o Irã.
- A Guarda Revolucionária iraniana mantém o fechamento do Estreito de Ormuz, ponto crítico para o suprimento global de energia.
- Estoques de petróleo bruto nos EUA caíram 1,692 milhão de barris, superando as expectativas de mercado.
- A interrupção das exportações de diesel russo agrava a escassez de oferta e pressiona os preços globais.
- O governo brasileiro elevou a mistura de etanol na gasolina para 32% visando reduzir a dependência de importações.
- O FMI alertou que a capacidade global de absorver novos choques nos preços de energia está se esgotando.
- O mercado financeiro reage com volatilidade, monitorando também possíveis tarifas comerciais dos EUA sobre produtos brasileiros.
Os preços do petróleo registraram alta nesta quarta-feira, impulsionados pela escalada das tensões militares entre os Estados Unidos e o Irã. A decisão do presidente Donald Trump de ampliar ataques contra alvos iranianos, somada ao bloqueio naval imposto pela Guarda Revolucionária no Estreito de Ormuz, gerou incerteza imediata sobre a estabilidade da oferta global de energia. O cenário é agravado pela redução dos estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos, que caíram 1,692 milhão de barris, superando as projeções de analistas e limitando a capacidade de resposta a choques de oferta. O FMI manifestou preocupação, alertando que as ferramentas globais para conter a volatilidade nos preços estão se esgotando.
No Brasil, o impacto da crise geopolítica é sentido diretamente no setor de combustíveis. A interrupção das exportações de diesel pela Rússia, combinada com a alta do petróleo, interrompeu uma sequência de quedas nos preços internos. Em resposta, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, medida que busca fortalecer o setor sucroenergético nacional e reduzir a dependência de importações de combustíveis fósseis. Embora o Ministério de Minas e Energia garanta que não haverá prejuízos técnicos aos veículos, a medida reflete a urgência do governo em mitigar pressões inflacionárias derivadas do cenário externo.
Além da crise energética, o mercado financeiro brasileiro mantém cautela diante da política externa americana. O governo dos EUA avalia a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, o que, somado à instabilidade no Oriente Médio, tem provocado oscilações no câmbio e nas bolsas. Analistas apontam que a imprevisibilidade das decisões em Washington, aliada aos conflitos regionais, cria um ambiente de risco prolongado para investidores e para a economia global, que agora precifica valores elevados de energia por um período estendido.
Fontes primárias
Comunicado da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC Navy) sobre o fechamento do Estreito de Ormuz
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado, afirmando que a via 'permanecerá fechada até que os Estados Unidos encerrem sua intervenção na região' e que nenhum navio será autorizado a atravessar. Segundo o comunicado, a medida foi tomada em resposta a uma embarcação que teria tentado cruzar por rota não autorizada e desligado seus sistemas de identificação, sendo então atingida por tiros de advertência. A força atribui a responsabilidade por eventuais consequências aos EUA, a Israel e a países que hospedam bases militares usadas contra o Irã, e alerta que qualquer nova agressão sob pretexto do incidente será respondida 'com força', incluindo ataques a bases inimigas na região. É esse fechamento — decorrente do confronto militar entre EUA e Irã na região — que a matéria da DJ aponta como o gatilho da alta do petróleo acima de US$ 80.
Medida Provisória nº 1.345, de 24 de março de 2026
A MP 1.345/2026, assinada pelo presidente Lula e publicada no DOU em 25/03/2026, altera as Leis nº 9.818/1999 e nº 12.712/2012 para reforçar o sistema oficial de apoio ao crédito à exportação. O art. 3º autoriza linhas de financiamento de até R$ 15 bilhões (art. 3º, §1º), com recursos do superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) apurado em 31/12/2025, de superávits de fontes supervisionadas por unidades do Ministério da Fazenda, ou de outras fontes orçamentárias. Os beneficiários são exportadores de bens industriais, seus fornecedores e entidades de setores relevantes para o comércio exterior brasileiro, afetados por instabilidade internacional — nominalmente pela 'aplicação de percentuais majorados de tarifas comerciais'. Os recursos, via Plano Brasil Soberano, podem financiar capital de giro, aquisição de bens de capital, ampliação de capacidade produtiva e inovação tecnológica (art. 3º, §3º). É essa a MP que a matéria da DJ cita como resposta do governo brasileiro à instabilidade do mercado internacional.
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