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Ministério da Fazenda eleva projeção da inflação para 5,1% em 2026

O governo revisou a estimativa do IPCA para 2026, que agora supera o teto da meta estabelecida pelo Banco Central devido a choques externos e climáticos.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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15/07 às 14:45 · atualizado 16:03

Pontos principais

  • A Secretaria de Política Econômica elevou a projeção do IPCA para 2026 de 4,5% para 5,1%.
  • O novo índice ultrapassa o teto da meta contínua do Banco Central, fixado em 4,5%.
  • A alta é atribuída principalmente ao aumento dos preços do petróleo e aos efeitos do fenômeno El Niño.
  • A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 2,3%.
  • A estimativa de inflação para 2027 sofreu um ajuste menor, passando de 3,5% para 3,6%.
  • Os dados integram o Boletim Macrofiscal, que subsidia o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

O Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção oficial da inflação para 2026, elevando a estimativa do IPCA de 4,5% para 5,1%. Com este ajuste, o índice passa a superar o teto da meta contínua estabelecida pelo Banco Central, que possui um centro de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. A mudança reflete um cenário de maior cautela econômica diante de pressões externas e climáticas que impactam diretamente o custo de vida no país.

Segundo a Secretaria de Política Econômica, a pressão inflacionária é impulsionada principalmente pela volatilidade nos preços do petróleo, agravada pelo conflito no Oriente Médio, e pelos efeitos esperados do fenômeno climático El Niño na produção de alimentos. Apesar da revisão inflacionária, o governo manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026, indicando que, embora o cenário de preços seja desafiador, os indicadores econômicos do segundo trimestre permanecem em patamares positivos. A projeção para 2027 também foi levemente ajustada, subindo de 3,5% para 3,6%.

Fonte primária

Secretaria de Política Econômica (SPE) / Ministério da Fazenda

Boletim MacroFiscal da SPE — Julho/2026

Com corte de dados em 6/7/2026, a SPE revisou o IPCA de 2026 de 4,5% (grade de maio) para 5,1%. Segundo o boletim, parte da revisão reflete dados já divulgados — serviços e bens industriais, excluído o etanol, acelerando acima do projetado — e o restante é prospectivo: efeitos de segunda ordem do choque do petróleo, repasse ainda pendente da alta do IPA industrial aos preços ao consumidor, expectativa de alimentos mais pressionados no 2º semestre diante da possibilidade de um El Niño mais intenso, e piora das expectativas de mercado (Focus IPCA 2026 subiu de 4,9% para 5,3%). Em sentido contrário, a acomodação do petróleo, a Selic em patamar mais contracionista e a desaceleração esperada da atividade atuam para conter a inflação. Para 2027, o IPCA foi revisado de 3,5% para 3,6%. O INPC 2026 subiu de 4,6% para 5,3% (maior peso de alimentos no índice) e o IGP-DI, de 4,9% para 5,6% (alta acima do esperado no atacado em maio). A projeção de PIB para 2026 foi mantida em 2,3% (2027 revisado de 2,6% para 2,5%). O câmbio médio de 2026 seguiu estável em R$/US$ 5,16, mas a cotação média do petróleo (Brent) caiu de US$ 91,25 para US$ 79,16/barril (-13,2%) e as expectativas de mercado passaram a apontar Selic terminal de 14,00% a.a., ante 13,00% na grade anterior. O documento ressalva que a interrupção do cessar-fogo entre EUA e Irã, em 8/7, é posterior à data de corte e não está incorporada ao cenário, constituindo risco altista adicional.

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