O cenário econômico brasileiro para 2026 enfrenta revisões altistas nas expectativas de inflação, impulsionadas pela escalada dos preços do petróleo decorrente dos conflitos no Oriente Médio. O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, elevou sua projeção oficial para o IPCA de 3,7% para 4,5%, atingindo o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Paralelamente, o mercado financeiro projeta uma inflação ainda mais elevada, em 4,92%, o que levou analistas a ajustarem a estimativa da taxa Selic para 13,25% ao ano. A pressão externa tem sido o principal vetor de incerteza para a política monetária doméstica.
Apesar da convergência na preocupação com a trajetória dos preços, há divergências nas projeções de atividade econômica. Enquanto o governo mantém a estimativa de crescimento do PIB em 2,3% para 2026, o mercado financeiro projeta uma expansão mais moderada, de 1,85%. O Ministério da Fazenda aposta que o incremento na arrecadação com royalties e impostos sobre o setor de petróleo, estimado em R$ 8,5 bilhões mensais, superará os custos fiscais de eventuais medidas mitigatórias. O governo também sinaliza que a valorização do real pode auxiliar na contenção do repasse dos preços dos combustíveis ao consumidor final.
Para 2027, o cenário permanece estável, com inflação em 4% e Selic em 11,25%, refletindo a cautela dos agentes diante da volatilidade global. O governo federal mantém uma postura mais otimista que o mercado financeiro, confiando que os ganhos arrecadatórios e a estabilidade cambial serão suficientes para ancorar as expectativas de longo prazo, mesmo diante do ambiente geopolítico adverso que pressiona as commodities energéticas.
Mediana das projeções do mercado para o IPCA de 2026 subiu de 4,91% para 4,92% — décima semana consecutiva de alta (▲10) e bem acima do teto da meta de 4,5%. Há quatro semanas a expectativa era de 4,80%. Para 2027, IPCA passou de 3,64% para 3,65%. A projeção mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,00% para 13,25% a.a., enquanto o câmbio foi mantido em R$/US$ 5,20 e o PIB de 2026 em 1,85%. O IGP-M 2026 também subiu pela 11ª semana, para 5,63%.
SPE revisou a projeção do IPCA de 2026 de 3,7% para 4,5% (no teto da meta), e a de 2027 de 3,0% para 3,5%. Para o INPC de 2026, projeção passou de 3,8% para 4,6%; IGP-DI mantido em 4,9%. A revisão reflete "principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados", parcialmente contrabalançados pelo real apreciado e por medidas mitigatórias do governo federal (MPs 1.340, 1.345 e 1.349/2026, com subvenção ao diesel, GLP e Plano Brasil Soberano). A cotação média do petróleo estimada para 2026 saltou de US$ 73,09 para US$ 91,25 por barril (+25%); câmbio médio caiu de R$/US$ 5,32 para R$/US$ 5,16; Selic esperada para o fim de 2026 passou de 12,00% para 13,00%. PIB de 2026 mantido em 2,3%.
Agência Brasil - EBC • 18 mai, 14:35
InfoMoney • 18 mai, 14:26
G1 Política • 18 mai, 13:30
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