Daily Journal
Daily Journal

Mercado e governo elevam projeções de inflação para 2026

Governo ajusta estimativa de inflação para 4,5% e mercado projeta 4,92%, sob pressão da alta do petróleo e tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Daily Journal
Foto: G1 - Economia
||
18/05 às 09:01 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A projeção oficial de inflação do governo subiu de 3,7% para 4,5%, atingindo o limite superior da meta.
  • O Boletim Focus aponta uma estimativa de mercado mais alta, em 4,92% para 2026.
  • A alta do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, é o principal fator de pressão inflacionária.
  • A estimativa para a taxa Selic ao final de 2026 foi elevada pelo mercado de 13% para 13,25% ao ano.
  • O governo estima que o aumento na arrecadação com royalties de petróleo gerará cerca de R$ 8,5 bilhões mensais aos cofres públicos.
  • A projeção de crescimento do PIB para 2026 é mantida em 2,3% pelo governo e 1,85% pelo mercado.
  • Para 2027, as expectativas permanecem estáveis, com inflação em 4% e Selic em 11,25%.

O cenário econômico brasileiro para 2026 enfrenta revisões altistas nas expectativas de inflação, impulsionadas pela escalada dos preços do petróleo decorrente dos conflitos no Oriente Médio. O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, elevou sua projeção oficial para o IPCA de 3,7% para 4,5%, atingindo o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Paralelamente, o mercado financeiro projeta uma inflação ainda mais elevada, em 4,92%, o que levou analistas a ajustarem a estimativa da taxa Selic para 13,25% ao ano. A pressão externa tem sido o principal vetor de incerteza para a política monetária doméstica.

Apesar da convergência na preocupação com a trajetória dos preços, há divergências nas projeções de atividade econômica. Enquanto o governo mantém a estimativa de crescimento do PIB em 2,3% para 2026, o mercado financeiro projeta uma expansão mais moderada, de 1,85%. O Ministério da Fazenda aposta que o incremento na arrecadação com royalties e impostos sobre o setor de petróleo, estimado em R$ 8,5 bilhões mensais, superará os custos fiscais de eventuais medidas mitigatórias. O governo também sinaliza que a valorização do real pode auxiliar na contenção do repasse dos preços dos combustíveis ao consumidor final.

Para 2027, o cenário permanece estável, com inflação em 4% e Selic em 11,25%, refletindo a cautela dos agentes diante da volatilidade global. O governo federal mantém uma postura mais otimista que o mercado financeiro, confiando que os ganhos arrecadatórios e a estabilidade cambial serão suficientes para ancorar as expectativas de longo prazo, mesmo diante do ambiente geopolítico adverso que pressiona as commodities energéticas.

Comentários

Carregando comentários...