Estudo aponta prática de blackwashing em estratégias corporativas
Relatório da ONG ACT Promoção da Saúde detalha como empresas utilizam pautas antirracistas de forma superficial para impulsionar lucros.
Pontos principais
- O blackwashing é definido como o uso estratégico e superficial de causas antirracistas para fins de marketing.
- O estudo identifica oito táticas de blackwashing, incluindo a divulgação seletiva de dados e a adoção de políticas vazias.
- Dados do Instituto Ethos indicam que pessoas negras ocupam menos de 6% dos conselhos nas maiores empresas brasileiras.
- A pesquisa argumenta que a prática perpetua a desigualdade racial ao instrumentalizar pautas sociais em prol do sistema econômico.
Um estudo recente da ONG ACT Promoção da Saúde trouxe à tona o conceito de blackwashing, prática em que corporações utilizam pautas antirracistas de maneira superficial para obter vantagens comerciais. O relatório detalha oito variedades dessa conduta, que vão desde a divulgação seletiva de informações até o uso de certificações de procedência duvidosa. A análise destaca que, embora o marketing corporativo frequentemente aborde a diversidade, a realidade interna das grandes empresas brasileiras permanece desigual, com pessoas negras ocupando menos de 14% dos cargos executivos e menos de 6% das cadeiras em conselhos, segundo dados do Instituto Ethos. Para os autores, o blackwashing atua como uma engrenagem que mantém a disparidade racial funcional ao sistema econômico. O documento conclui que o enfrentamento real do problema exige mudanças estruturais profundas, superando ações de fachada e apelos éticos pontuais.
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