Daily Journal
Daily Journal

União Europeia exige que Meta altere design viciante do Facebook e Instagram

A Comissão Europeia concluiu que recursos como rolagem infinita e autoplay violam a Lei de Serviços Digitais, ameaçando a Meta com multas de até 6% da receita.

Daily Journal
Foto: G1 - Economia
||
10/07 às 07:31 · atualizado 17:02

Pontos principais

  • A Comissão Europeia emitiu uma conclusão preliminar apontando que o design do Facebook e Instagram é viciante.
  • Recursos como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos foram identificados como incentivadores de uso compulsivo.
  • A investigação é fundamentada na Lei de Serviços Digitais (DSA), que regula grandes plataformas no bloco.
  • A Meta pode enfrentar multas de até 6% de seu faturamento global anual caso não promova as mudanças exigidas.
  • O regulador argumenta que a empresa falhou em mitigar riscos à saúde física e mental de usuários, especialmente menores.
  • A UE questiona a eficácia das ferramentas atuais de controle parental e de gerenciamento de tempo oferecidas pela Meta.
  • A Meta contesta as conclusões, afirmando que já implementou medidas de proteção como as 'Contas para Adolescentes'.
  • A empresa terá direito de defesa antes que uma decisão final seja tomada pela Comissão Europeia.
  • O caso reflete uma ofensiva global contra estratégias de engajamento que podem ser prejudiciais ao bem-estar dos usuários.

A Comissão Europeia notificou formalmente a Meta após concluir, em uma investigação preliminar, que o design do Facebook e do Instagram viola a Lei de Serviços Digitais (DSA) do bloco. Segundo o órgão regulador, funcionalidades como a rolagem infinita, a reprodução automática de vídeos e algoritmos de recomendação altamente personalizados incentivam comportamentos compulsivos, colocando os usuários — com foco especial em crianças e adolescentes — em um estado de uso contínuo que pode ser prejudicial à saúde mental e física. A UE exige mudanças estruturais imediatas para mitigar esses riscos, argumentando que as ferramentas de controle parental e de gestão de tempo atualmente disponíveis nas plataformas são insuficientes para conter o impacto negativo do design focado em engajamento.

Caso a Meta não apresente soluções adequadas para alinhar suas plataformas às exigências europeias, a empresa poderá enfrentar sanções financeiras severas. A legislação prevê multas que podem atingir até 6% do faturamento global anual da companhia. A investigação, iniciada em maio de 2024, faz parte de um esforço mais amplo da União Europeia para responsabilizar as chamadas 'Big Techs' pela arquitetura de seus sistemas, buscando garantir que a segurança do usuário seja priorizada sobre as estratégias de retenção de audiência.

Em resposta às acusações, a Meta manifestou discordância em relação às conclusões preliminares. A empresa defende que já adotou diversas medidas de proteção ao longo dos últimos anos, citando como exemplo o lançamento das 'Contas para Adolescentes', que restringem o acesso a determinados conteúdos e limitam o tempo de uso. A gigante da tecnologia reafirmou seu compromisso em colaborar com os reguladores europeus, mas ressaltou que continuará defendendo a integridade de seus modelos de negócio e as funcionalidades que, segundo a companhia, são essenciais para a experiência do usuário.

Este embate jurídico e regulatório destaca a crescente pressão global sobre as redes sociais. Além da União Europeia, países como França e Austrália têm debatido restrições similares para limitar o impacto das plataformas digitais sobre os jovens. O desfecho deste caso servirá como um benchmark importante para a aplicação da DSA, estabelecendo um precedente sobre até que ponto os governos podem intervir na interface e nos algoritmos de produtos digitais para proteger o bem-estar público.

Fonte primária

Comissão Europeia

Commission preliminarily finds the addictive design of Instagram and Facebook in breach of the DSA

A Comissão Europeia concluiu preliminarmente que o Facebook e o Instagram violam o Digital Services Act (DSA) por design viciante, mirando recursos como rolagem infinita, autoplay, notificações push e sistemas de recomendação altamente personalizados. Segundo a apuração, a Meta não avaliou adequadamente os riscos desses recursos para o bem-estar físico e mental dos usuários, incluindo menores e adultos vulneráveis — ignorando, por exemplo, dados sobre o tempo que menores passam na plataforma à noite e como a otimização de reels e stories pode levar a uso excessivo ou compulsivo. A Comissão também considera que as medidas de mitigação da Meta falharam: as ferramentas de gestão de tempo (inclusive as ativadas por padrão para adolescentes) podem ser facilmente dispensadas, os controles parentais só funcionam se pais tiverem expertise técnica e dedicarem tempo para configurá-los, e os avisos/links para recursos de saúde mental na 'central de segurança' não mitigam suficientemente o risco. Neste estágio, a Comissão entende que a Meta precisa implementar mudanças de design — desativar por padrão recursos como autoplay e rolagem infinita, implementar pausas efetivas de tela ('screen time breaks') e tornar o algoritmo de recomendação menos orientado a engajamento. A investigação faz parte do processo formal aberto em 16 de maio de 2024; achados preliminares não prejulgam o resultado final. A Meta agora tem direito de defesa (acesso aos autos e resposta por escrito), com consulta paralela ao European Board for Digital Services. Se confirmados, os achados podem resultar em decisão de não conformidade com multa de até 6% do faturamento mundial anual da empresa. Henna Virkkunen, vice-presidente executiva de Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia da Comissão, declarou: 'Proteger a saúde física e mental dos europeus deve ser prioridade para as plataformas de redes sociais. O Digital Services Act oferece um marco claro para responsabilizar plataformas pelo design viciante e efeitos de seus serviços. Estamos plenamente comprometidos em fazer cumprir nossa legislação na Europa.'

Tópicos relacionados

Comentários

Carregando comentários...