Planalto critica atuação de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA
O governo brasileiro acusou o senador de legitimar tarifas americanas contra o Brasil durante audiência no USTR, classificando sua postura como política.
Pontos principais
- O Palácio do Planalto repudiou a participação de Flávio Bolsonaro em audiência sobre a Seção 301, que pode impor tarifas de até 25% ao Brasil.
- O governo alega que o senador não contestou as medidas americanas, sugerindo apenas o adiamento da aplicação das taxas.
- Flávio Bolsonaro argumentou no USTR que sanções comerciais poderiam fortalecer o governo Lula e aproximar o Brasil da China.
- A viagem é vista pelo Planalto como uma tentativa do senador de se descolar dos impactos negativos das tarifas em sua pré-campanha presidencial.
- Durante o evento, o parlamentar também criticou decisões do STF e o uso de dados do INSS, além de defender a preservação do sistema Pix.
- O governo brasileiro mantém negociações com a administração Trump desde 2025 para tentar reverter as sobretaxas comerciais.
O Palácio do Planalto manifestou forte descontentamento com a atuação do senador Flávio Bolsonaro em Washington, onde o parlamentar participou de uma audiência no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo brasileiro acusou o senador de legitimar as tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump ao não contestar diretamente as alegações americanas, limitando-se a pedir o adiamento das sanções. A Seção 301, foco da audiência, investiga práticas comerciais e pode resultar em sobretaxas de até 25% sobre produtos brasileiros, um cenário que o Planalto tenta reverter em negociações diplomáticas desde o início de 2025. Para o governo, a postura do senador foi uma tentativa de politizar as relações bilaterais em benefício de sua pré-campanha à Presidência. Em sua defesa, Flávio Bolsonaro argumentou que as sanções poderiam fortalecer politicamente o governo Lula e empurrar o Brasil para uma aliança estratégica mais próxima com a China. Além da questão tarifária, o senador aproveitou o espaço para criticar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e o uso de dados do INSS, buscando projetar influência internacional. Analistas apontam que a estratégia de tentar neutralizar o desgaste político do 'tarifaço' pode gerar efeitos contrários, dado o desconforto causado pela postura do parlamentar junto aos negociadores oficiais brasileiros.
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