Mortes por terremotos na Venezuela sobem para 3.535
O balanço oficial dos sismos de 24 de junho na Venezuela aponta 3.535 mortos, enquanto o país enfrenta colapso na infraestrutura e críticas à resposta.
Pontos principais
- O número oficial de mortos atingiu 3.535, com 16.740 feridos e 17.854 desabrigados.
- Dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a costa norte venezuelana em 24 de junho.
- Satélites da ESA detectaram um deslocamento de 30 cm no solo entre Caracas e Puerto Cabello.
- O sistema de saúde e necrotérios está sobrecarregado, forçando o uso de depósitos improvisados.
- Moradores relatam falta de auxílio oficial nas primeiras 48 horas após o desastre.
- A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou a criação de uma unidade militar para desastres.
- Especialistas apontam que a precariedade das construções agravou o impacto dos sismos.
O governo da Venezuela confirmou nesta segunda-feira que o número de vítimas fatais decorrentes dos terremotos ocorridos em 24 de junho subiu para 3.535. Os sismos, que registraram magnitudes de 7,2 e 7,5, atingiram severamente a costa norte do país, com epicentros que causaram destruição generalizada em Caracas e La Guaira. Além das mortes, o balanço oficial contabiliza mais de 16 mil feridos e cerca de 17,8 mil desabrigados, muitos dos quais estão sendo alocados em centros de acolhimento improvisados devido à sobrecarga do sistema público de saúde e funerário. Dados de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA) revelaram a dimensão geológica do evento, confirmando um deslocamento de 30 centímetros na superfície terrestre em uma extensa área que vai de Caracas até Puerto Cabello. Este foi o terremoto mais forte registrado no país desde 1900, evidenciando a vulnerabilidade da infraestrutura local, que, segundo especialistas, foi agravada pela precariedade das construções habitacionais e pela crise econômica estrutural que o país enfrenta há anos. A resposta estatal ao desastre tem sido alvo de críticas intensas por parte da população, que relata a ausência de socorro imediato nas primeiras 48 horas após os abalos, forçando os próprios moradores a realizarem buscas por sobreviventes sob os escombros. Em resposta à pressão social e à magnitude da tragédia, a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou a criação de uma unidade militar especializada em desastres naturais, buscando centralizar as operações de resgate e conter o descontentamento popular. Enquanto as equipes de busca continuam o trabalho, o país lida com o desafio logístico de gerir o alto número de corpos não identificados e a reconstrução de áreas urbanas inteiramente devastadas.
Fontes primárias
Número de fallecidos por sismos asciende a 3.535
Na segunda-feira, 6 de julho, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, apresentou em seu canal de Telegram o balanço oficial da tragédia dos terremotos de 24 de junho: 3.535 mortos (alta de 193 em relação ao balanço anterior) e 16.740 feridos. Segundo o boletim, 6.462 pessoas foram resgatadas com vida, 86.794 famílias foram atendidas, 25.016 pacientes receberam atendimento médico, 17.854 pessoas ficaram desabrigadas e 82 acampamentos temporários foram montados. Rodríguez reportou ainda 856 edificações afetadas, das quais 190 colapsaram, e 1.048 réplicas registradas desde os sismos.
Sentinel-1 shows ground displacement after Venezuela earthquakes
A ESA publicou um interferograma gerado por radar (InSAR) do satélite Sentinel-1, comparando imagens de 18 de junho (antes dos terremotos) e 25 de junho (um dia depois). A análise mostra deformação do solo da ordem de 30 cm na linha de visada do satélite, num padrão de franjas que se estende ao norte, entre Caracas e Puerto Cabello (cerca de 210 km), com La Guaira, a 20 km ao norte de Caracas, entre as áreas mais atingidas. A ESA atribui a deformação à ruptura de falha dos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 de 24 de junho.
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