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Onda de calor recorde atinge a Europa e causa centenas de mortes

Temperaturas extremas afetam a Europa, causando danos à infraestrutura e mortes, enquanto o fenômeno se desloca para o Leste e atinge 191 milhões de pessoas.

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Foto: InfoMoney
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28/06 às 04:32 · atualizado 14:32

Pontos principais

  • Alemanha, França e outros países registraram temperaturas recordes acima de 40 °C.
  • A França reportou cerca de mil mortes acima da média, afetando principalmente idosos.
  • O bloqueio ômega causou danos em rodovias, cancelamentos ferroviários e redução na produção de energia.
  • Cerca de 191 milhões de pessoas enfrentam temperaturas acima de 35 °C, com 381 milhões registrando mais de 30 °C.
  • Usinas nucleares, como a de Paks na Hungria, reduziram a produção devido ao aquecimento das águas de resfriamento.
  • O fluxo do rio Pó, na Itália, diminuiu drasticamente, ameaçando a agricultura com a entrada de água salgada.
  • A Organização Mundial da Saúde alertou que eventos de calor extremo tornaram-se recorrentes devido às mudanças climáticas.
  • Meteorologistas preveem alívio na Europa Ocidental, com o fenômeno deslocando-se para a Europa Central e os Balcãs.

Uma intensa onda de calor atingiu a Europa, levando diversos países a registrarem as temperaturas mais elevadas de suas histórias. Com termômetros superando os 40 °C, o fenômeno, conhecido como bloqueio ômega, causou impactos severos na infraestrutura, incluindo a deformação de trilhos e rodovias, além de forçar a redução da produção em usinas nucleares. Autoridades de saúde relataram um aumento crítico de hospitalizações e óbitos, com a França registrando cerca de mil mortes acima da média histórica, afetando principalmente a população idosa. Especialistas da Organização Mundial da Saúde alertam que a severidade deste evento é impulsionada pelas mudanças climáticas, tornando tais episódios recorrentes.

O impacto estende-se à segurança energética e ao abastecimento. Na Alemanha, sistemas ferroviários foram reduzidos e bondes suspensos, enquanto na Hungria, a usina nuclear de Paks precisou reduzir sua capacidade devido ao aquecimento das águas utilizadas no resfriamento. Na Itália, a seca extrema reduziu drasticamente o fluxo do rio Pó, permitindo a entrada de água salgada no interior do continente, o que ameaça a produtividade agrícola da região. Especialistas ressaltam que os dados de impacto podem estar subestimados, uma vez que os modelos meteorológicos enfrentam dificuldades em mensurar com precisão o efeito de ilhas de calor urbanas nas grandes metrópoles.

O cenário climático apresenta uma transição regional, com o fenômeno deslocando-se para o Leste. Estimativas indicam que cerca de 191 milhões de europeus enfrentam temperaturas superiores a 35 °C, enquanto 381 milhões registram marcas acima de 30 °C. Países como Polônia, Hungria e República Tcheca enfrentam os maiores riscos atuais. Meteorologistas preveem um alívio nas temperaturas na Europa Ocidental nos próximos dias, enquanto a onda de calor avança sobre a Europa Central e os Balcãs, mantendo autoridades em estado de alerta.

Fontes primárias

World Meteorological Organization (WMO)

Records fall as extreme heat grips Europe — WMO

Comunicado da OMM de 26 de junho de 2026 sobre a onda de calor que varreu a Europa a partir da Península Ibérica. A onda provocou temperaturas de 3 °C a 10 °C acima da média semanal, com máximas diárias acima de 35 °C e mínimas acima de 20 °C em vários países por dias consecutivos. A OMM alertou para 'grandes impactos à saúde, ecossistemas, agricultura, infraestrutura e produtividade laboral'. O Deutsche Wetterdienst (DWD) emitiu Alertas Vermelhos generalizados na Alemanha, incluindo para Bonn, Frankfurt e Colônia. França registrou o dia mais quente da história (média nacional de 30 °C em 24/jun, batendo recordes de 2019 e 2003) e 40 mortes por afogamento até a data do comunicado. O porta-voz de clima da OMM, John Kennedy, disse que a Europa aqueceu cerca de 2 °C nos últimos 50 anos, tornando-se o continente de aquecimento mais rápido do mundo. A OMM estimou aproximadamente 489.000 mortes relacionadas ao calor por ano entre 2000 e 2019, segundo dados da OMS, e alertou que eventos de calor extremo tenderão a aumentar em frequência, intensidade e duração.

Deutscher Wetterdienst (DWD)

Noch nie so früh im Jahr: Deutscher Wetterdienst warnt über langen Zeitraum vor Hitze

Comunicado do Serviço Meteorológico alemão (DWD) de 25 de junho de 2026. O DWD emitia avisos de calor desde 18 de junho; o período de alertas, com duração prevista de 12 dias, era um dos mais longos desde a criação do sistema de avisos de calor em 2005 — e o mais precoce no ano já registrado. O pico da onda estava previsto para o fim de semana de 27-28/jun, com temperaturas esperadas de 35 °C a mais de 40 °C em todo o país e temperatura 'percebida' (Gefühlte Temperatur) acima de 38 °C em quase toda a Alemanha. O DWD classificou em 10 dos 12 dias alertas de 'carga térmica extrema' (nível 2). Tobias Fuchs, diretor de Clima e Meio Ambiente do DWD, declarou: 'A influência das mudanças climáticas fica muito evidente no tema das ondas de calor. Já vemos hoje que as ondas de calor estão ficando mais quentes e mais longas. Precisamos nos preparar para novos aumentos no futuro.' Confirmado depois: Alemanha bateu o recorde histórico de todos os tempos três dias consecutivos — 41,3 °C (27/jun, Saarbrücken), 41,5 °C (27/jun, Möckern-Drewitz/Saxônia-Anhalt) e 41,7 °C (28/jun, Neißemünde/Brandemburgo), superando os 41,2 °C de julho de 2019. A Dinamarca também quebrou seu recorde histórico em 27/jun: 37 °C em Ødum (norte de Aarhus), o dia mais quente desde o início dos registros em 1874, segundo o DMI.

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