Classes D e E encolhem e representam 19,4% da população em 2025
O percentual de brasileiros nas classes de menor renda atingiu o menor nível da série histórica, impulsionado pelo mercado de trabalho e auxílios.
Pontos principais
- A parcela da população nas classes D e E caiu para 19,4% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica em 2012.
- Cerca de 41 milhões de brasileiros compõem atualmente as classes de menor renda, com rendimento domiciliar per capita de até R$ 760.
- A classe A ampliou sua participação, passando de 2,7% em 2012 para 3,8% da população em 2025, superando 8 milhões de pessoas.
- As classes C1 e C2 concentram a maior parte da população brasileira, totalizando aproximadamente 56% dos habitantes.
- O rendimento médio per capita da classe A (R$ 14.214) é cerca de 31 vezes superior ao registrado pelas famílias das classes D e E (R$ 453).
- Especialistas alertam que a mobilidade social na base da pirâmide permanece frágil, com alta dependência de benefícios sociais e emprego informal.
O Brasil registrou em 2025 o quarto ano consecutivo de redução da pobreza, com a parcela da população nas classes D e E recuando para 19,4%, segundo dados da consultoria 4Intelligence. O movimento de ascensão social foi sustentado pelo aquecimento do mercado de trabalho e pela eficácia de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que permitiram a migração de milhões de famílias para estratos de renda mais elevados. O rendimento domiciliar per capita médio do país atingiu R$ 2.264 em 2025, o maior valor da série histórica da Pnad Contínua iniciada em 2012.
Apesar dos avanços, economistas apontam que a transição para uma classe média estável ainda enfrenta desafios estruturais. A mobilidade observada é descrita como uma "mobilidade de base", na qual famílias saíram da extrema pobreza para condições de vulnerabilidade moderada, mantendo pouca capacidade de poupança e alta exposição a choques econômicos. Além disso, o aumento da renda média foi acompanhado por uma maior desigualdade social, com o topo da pirâmide apresentando ganhos acima da média, enquanto famílias de baixa renda têm parte de seus ganhos comprometidos pelo endividamento com crédito de curto prazo.
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