O percentual de brasileiros nas classes de menor renda atingiu o menor nível da série histórica, impulsionado pelo mercado de trabalho e auxílios.
O Brasil registrou em 2025 o quarto ano consecutivo de redução da pobreza, com a parcela da população nas classes D e E recuando para 19,4%, segundo dados da consultoria 4Intelligence. O movimento de ascensão social foi sustentado pelo aquecimento do mercado de trabalho e pela eficácia de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que permitiram a migração de milhões de famílias para estratos de renda mais elevados. O rendimento domiciliar per capita médio do país atingiu R$ 2.264 em 2025, o maior valor da série histórica da Pnad Contínua iniciada em 2012.
Apesar dos avanços, economistas apontam que a transição para uma classe média estável ainda enfrenta desafios estruturais. A mobilidade observada é descrita como uma "mobilidade de base", na qual famílias saíram da extrema pobreza para condições de vulnerabilidade moderada, mantendo pouca capacidade de poupança e alta exposição a choques econômicos. Além disso, o aumento da renda média foi acompanhado por uma maior desigualdade social, com o topo da pirâmide apresentando ganhos acima da média, enquanto famílias de baixa renda têm parte de seus ganhos comprometidos pelo endividamento com crédito de curto prazo.
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