Braskem busca proteção judicial para reestruturar dívida de R$ 52 bi
A Braskem obteve 60 dias de proteção contra execuções para renegociar sua dívida de US$ 12 bilhões, enquanto suas ações registram forte queda na B3.
Pontos principais
- A Braskem formalizou pedido de tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
- A companhia obteve um prazo de 60 dias de proteção contra cobranças para negociar uma recuperação extrajudicial.
- O passivo financeiro total da empresa é de aproximadamente R$ 52 bilhões, ou cerca de US$ 12 bilhões.
- A empresa enfrenta dificuldades para honrar US$ 150 milhões em juros de títulos com vencimento entre julho e agosto.
- A proposta inicial de alongamento de prazos em cinco anos e redução de juros foi rejeitada pelos bondholders.
- Ações da companhia (BRKM5) registraram queda de 13% após o agravamento das tensões com credores.
- Analistas alertam para um possível déficit superior a R$ 2 bilhões caso um acordo de reestruturação não seja concretizado.
- A empresa busca captar uma nova linha de crédito de até US$ 1,5 bilhão para reforçar sua liquidez imediata.
- O protocolo da recuperação extrajudicial foi adiado devido a impasses nas negociações com credores.
- A proteção judicial tem escopo estritamente financeiro e não impacta fornecedores, clientes ou a rotina operacional.
A Braskem deu início a um processo de mediação com seus credores financeiros, protocolando um pedido de tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A iniciativa, que garantiu à companhia um prazo de 60 dias de proteção contra execuções, visa criar um ambiente estável para a reestruturação de seu passivo de aproximadamente US$ 12 bilhões. O movimento ocorre após a rejeição, por parte dos bondholders, de uma proposta preliminar que previa o alongamento dos vencimentos em cinco anos e a redução de 200 pontos-base nas taxas de juros de todos os instrumentos de dívida. A reação do mercado foi severa, com as ações da petroquímica (BRKM5) registrando queda de 13% na B3, descolando-se do desempenho positivo do Ibovespa, que avançou 1,6% no mesmo pregão.
A pressão sobre a liquidez da empresa intensificou-se devido à incapacidade projetada de honrar pagamentos de juros de títulos que somam US$ 150 milhões, com vencimentos previstos para julho e agosto. Diante desse cenário, os credores têm exigido condições mais rigorosas, incluindo maior remuneração e um comprometimento mais claro dos acionistas, como a Petrobras e a gestora IG4, no processo de reestruturação. Analistas de mercado alertam que, caso um acordo não seja concretizado em breve, a companhia pode enfrentar um déficit superior a R$ 2 bilhões, o que pressiona ainda mais a busca por uma nova linha de crédito de até US$ 1,5 bilhão.
Recentemente, o cronograma da empresa sofreu alterações, com o adiamento do protocolo da recuperação extrajudicial que estava previsto para o dia 25 de junho. O impasse nas negociações com os detentores de títulos impediu o avanço conforme o planejado. Documentos tornados públicos, após o vencimento de acordos de confidencialidade, detalharam as tensões nas tratativas, evidenciando a dificuldade em alinhar os interesses entre a petroquímica e seus credores. A empresa segue buscando alternativas para equacionar suas obrigações financeiras de forma consensual.
A companhia reforça que a proteção judicial tem escopo estritamente financeiro e não impacta fornecedores, clientes ou a rotina operacional, garantindo que a capacidade produtiva seja mantida durante o processo de negociação. O início da mediação representa o passo formal para tentar resolver as dívidas. Para assegurar a continuidade das tratativas, o conselho de administração aprovou a possibilidade de buscar medidas protetivas adicionais no exterior caso o consenso não seja alcançado dentro do prazo estipulado pela justiça brasileira.
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