Banco Central eleva para 79% chance de inflação estourar teto da meta
Mesmo com IPCA-15 de junho abaixo do esperado, BC projeta inflação acima da meta em 2026, exigindo carta aberta ao ministro da Fazenda.
Pontos principais
- A probabilidade de o IPCA superar o limite superior da meta de 4,5% em 2026 subiu de 30% para 79%.
- O IPCA-15 de junho registrou alta de 0,41%, ficando abaixo da mediana de 0,44% esperada pelo mercado.
- A inflação acumulada em doze meses atingiu 4,80%, superando o teto da meta de 4,5%.
- O descumprimento da meta contínua por seis meses obrigará o envio de carta aberta ao ministro Dario Durigan.
- Projeções para 2027 indicam aumento na chance de estouro do teto, passando de 19% para 28%.
- A meta de inflação possui centro em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O Banco Central do Brasil revisou suas projeções inflacionárias no Relatório de Política Monetária, elevando de 30% para 79% a probabilidade de o IPCA ultrapassar o teto da meta em 2026. Embora o IPCA-15 de junho tenha registrado alta de 0,41%, resultado abaixo da mediana de 0,44% esperada pelo mercado, o acumulado em doze meses atingiu 4,80%, superando o limite superior de 4,5%. Esse cenário força a emissão de uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, devido ao descumprimento do objetivo oficial sob o regime de meta contínua. A escalada dos preços é atribuída, em grande parte, aos impactos da geopolítica no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo e combustíveis, o que impõe pressão adicional sobre a política de juros.
O relatório também detalhou as perspectivas para os anos seguintes, apontando que a probabilidade de o IPCA ficar abaixo do piso da meta em 2026 é considerada nula. Para 2027, a chance de estouro do teto subiu de 19% para 28%, enquanto para 2028 houve uma leve redução, passando de 17% para 16%. O Banco Central reforça que, sob o novo modelo vigente desde 2025, o descumprimento ocorre caso o índice ultrapasse o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, tornando o controle das expectativas um desafio central para a autoridade monetária.
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