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Congresso dos EUA aprova resolução contra estratégia de Trump no Irã

O Congresso aprovou medida que exige autorização legislativa para ações militares contra o Irã, gerando forte reação e ameaça de veto por Donald Trump.

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Foto: G1 Mundo
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24/06 às 06:15 · atualizado 16:32

Pontos principais

  • O Senado aprovou a resolução por 50 votos a 48, com o apoio de quatro senadores republicanos.
  • A medida exige a retirada de forças militares do conflito e a submissão de novas manobras à aprovação do Congresso.
  • Esta é a primeira iniciativa do tipo desde a promulgação da Lei dos Poderes de Guerra em 1973.
  • Donald Trump criticou a votação via Truth Social, classificando-a como inoportuna e prejudicial à segurança nacional.
  • A Casa Branca indicou que não pretende acatar a decisão e deve recorrer à Justiça para contestar a validade do texto.
  • Embora funcione como uma censura política, a resolução não possui força de lei direta para impedir ações imediatas do Executivo.
  • Pesquisas indicam que apenas 25% dos norte-americanos consideram a guerra contra o Irã justificável.

O Congresso dos Estados Unidos consolidou um desafio legislativo à autoridade do presidente Donald Trump ao aprovar uma resolução que exige a retirada de forças militares do conflito contra o Irã. A medida, que já havia passado pela Câmara dos Deputados, foi ratificada no Senado por 50 votos a 48, contando com o apoio de quatro senadores republicanos. Este movimento marca um precedente histórico, sendo a primeira vez desde a Lei dos Poderes de Guerra de 1973 que o Legislativo utiliza tal mecanismo para limitar a atuação do Executivo em um cenário de conflito ativo. Apesar da aprovação, especialistas apontam que o texto funciona mais como uma censura política e ordem institucional do que como uma lei com força de interrupção imediata das operações.

O presidente Donald Trump manifestou forte descontentamento, utilizando a rede social Truth Social para classificar a votação como mal programada e sem sentido. Segundo o mandatário, a decisão parlamentar dificulta sua estratégia de pressão e enfraquece a posição norte-americana, alegando que o Irã estaria próximo da derrota. Em resposta à ofensiva legislativa, o governo sinalizou que não pretende acatar a resolução e deve recorrer à Justiça para tentar derrubar o texto, mantendo sua autonomia militar. Em contrapartida, a Casa Branca sustenta que a resolução carece de efeito prático, citando o cessar-fogo mantido desde abril.

O embate ocorre em um momento de baixa popularidade da intervenção, com pesquisas apontando que apenas 25% da população considera a guerra justificável. A tensão entre os poderes deve escalar, visto que o governo ainda planeja solicitar bilhões de dólares para financiar as operações militares, o que promete novos confrontos políticos no Capitólio. A resistência do Legislativo reflete uma mudança na percepção sobre a necessidade de autorização prévia para o uso da força, colocando em xeque a autonomia do Executivo em decisões de política externa e gerando preocupações entre aliados de Trump sobre o impacto eleitoral da medida.

Fonte primária

Congresso dos EUA (119º) / Congress.gov

H.Con.Res.86 — Diretriz ao presidente para retirar as Forças Armadas dos EUA das hostilidades com o Irã (seção 5(c) da War Powers Resolution)

Resolução concorrente de autoria do deputado Gregory W. Meeks (D-NY-5). Texto operativo: "Resolved by the House of Representatives (the Senate concurring), That, pursuant to section 5(c) of the War Powers Resolution (50 U.S.C. 1544(c)), Congress directs the President to remove United States Armed Forces from hostilities against the Islamic Republic of Iran...". Ou seja, invoca a seção 5(c) da War Powers Resolution de 1973 e determina ao presidente a retirada das Forças Armadas dos EUA das hostilidades contra a República Islâmica do Irã — exceto os contingentes necessários para defender os EUA, um aliado ou parceiro de ataque iminente, desde que o presidente cumpra integralmente os requisitos da seção 5(b) —, a menos que haja declaração de guerra ou autorização específica do Congresso para o uso de força militar contra o Irã. Por ser resolução concorrente, não tem força de lei nem exige sanção presidencial (caráter simbólico). Tramitação oficial: aprovada na Câmara em 3 de junho de 2026 por 215 a 208 (Roll no. 199), com quatro republicanos votando com os democratas; e adotada pelo Senado em 23 de junho de 2026 por 50 a 48 — primeira vez que uma resolução de poderes de guerra é aprovada pelas duas Casas. No Senado, os republicanos Susan Collins, Lisa Murkowski, Rand Paul e Bill Cassidy se uniram à maioria democrata; o democrata John Fetterman votou contra; e os republicanos Mitch McConnell e Dave McCormick não votaram.

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