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Irã impõe limites ao tráfego no Estreito de Ormuz após acordo com EUA

O tráfego em Ormuz cresce após acordo entre EUA e Irã, mas restrições logísticas e ameaças nucleares mantêm o mercado de energia e o preço do petróleo em alerta.

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Foto: G1 Mundo
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23/06 às 07:45 · atualizado 13:02

Pontos principais

  • O tráfego diário no Estreito de Ormuz atingiu 42 navios, sinalizando retomada das atividades após o pacto diplomático.
  • O governo dos EUA autorizou o Irã a retomar a venda de petróleo no mercado internacional, estabilizando os preços da commodity.
  • O governo iraniano anunciou que limitará a quantidade diária de navios, impondo restrições não previstas no acordo inicial.
  • O presidente Donald Trump condicionou a manutenção da livre circulação na rota à aceitação de novas vistorias nucleares pelo Irã.
  • Teerã sinalizou mudanças estruturais na administração da via, incluindo a possibilidade de cobrança de taxas de trânsito.
  • A instabilidade persiste devido a ameaças iranianas de novos bloqueios como retaliação a ataques de Israel no Líbano.

O Estreito de Ormuz registrou um aumento expressivo no fluxo de embarcações, atingindo a marca de 42 navios no último sábado. Este movimento reflete uma normalização das atividades comerciais após o pacto diplomático firmado entre o governo do presidente Donald Trump e o Irã, que inclui a autorização para que Teerã retome a venda de petróleo no mercado internacional. A medida trouxe uma estabilidade momentânea aos preços da commodity, à medida que petroleiros voltaram a transitar abertamente pela rota estratégica, reduzindo parte das tensões geopolíticas que pressionavam a oferta global de energia.

Apesar da retomada, o cenário permanece volátil. O governo iraniano declarou que passará a limitar a quantidade diária de navios autorizados e sinalizou mudanças estruturais na administração da via, levantando preocupações sobre a possível implementação de taxas de trânsito. Em resposta, Trump condicionou a garantia de livre circulação à aceitação de novas vistorias nucleares por parte de Teerã. A situação é agravada por tensões regionais, com o Irã ameaçando novos bloqueios como retaliação a ataques de Israel no Líbano, mantendo incertezas sobre a estabilidade de longo prazo da rota.

Fontes primárias

Press TV (Irã) / Quartel-General Central Khatam al-Anbiya

Forças Armadas do Irã: Estreito de Ormuz administrado com 'total autoridade'; trânsito só com permissão da Marinha do IRGC

Comunicado do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya (mais alta instância operacional das Forças Armadas iranianas), via Press TV (30/05/2026): a gestão do Estreito de Ormuz passa a ser exercida 'com total autoridade' pelas Forças Armadas, cabendo à Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) o controle exclusivo das autorizações de passagem. 'Todos os navios, embarcações comerciais e petroleiros são obrigados a transitar exclusivamente por rotas designadas e a obter permissão da Marinha do IRGC.' O comunicado adverte que violações 'comprometerão seriamente a segurança da passagem' e que qualquer interferência militar 'será alvo das Forças Armadas da República Islâmica do Irã'. É sob esse regime de permissão que a Marinha do IRGC divulga, a cada 24 horas, a contagem de navios autorizados a cruzar o estreito — o mecanismo por trás do 'número limitado de navios' que passa diariamente.

Press TV (Irã) / Mohammad Bagher Qalibaf (presidente do Majlis)

Qalibaf: Estreito de Ormuz nunca voltará ao status pré-guerra; o Irã o administrará

Declaração de Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento (Majlis) e chefe da equipe negociadora iraniana, à imprensa iraniana ao retornar das negociações quadripartites na Suíça (22/06/2026): 'A administração do Estreito de Ormuz nunca voltará ao que era antes da guerra.' Qalibaf afirma que o acordo recente entre Irã e EUA mudou fundamentalmente a situação na via estratégica e que, embora as regulamentações internacionais sejam observadas, 'o Irã administrará o Estreito de Ormuz'. Segundo o memorando de entendimento (MoU), o Irã garante passagem segura a navios comerciais sem cobrança apenas por 60 dias.

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