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PF bloqueia R$ 670 milhões em operação contra o Banco Digimais

Investigação apura fraudes contábeis e gestão irregular no banco de Edir Macedo, que contesta auditoria enquanto busca comprador sob risco de liquidação.

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Foto: Pipeline Valor
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23/06 às 07:32 · atualizado 17:15

Pontos principais

  • A Operação Miragem apura crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos e uso indevido de fundos de investimento.
  • Relatórios do Banco Central indicam manipulação de balanços para ocultar a real situação financeira da instituição.
  • A Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em ativos ligados aos investigados.
  • O Banco Digimais é controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e proprietário do Grupo Record.
  • Investigadores apontam que o banco superavaliou ativos, elevando créditos de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões.
  • A Polícia Federal identificou semelhanças operacionais entre o esquema do Digimais e o modus operandi do Banco Master.
  • A instituição é suspeita de transferir riscos da atividade bancária ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
  • Auditoria apontou a ausência de demonstrações financeiras auditadas em 73% dos fundos investidos pelo banco.
  • O banco negocia a venda do controle ao BTG Pactual, operação que dependeria de um aporte de R$ 7 bilhões do FGC.
  • Caso a venda não seja concretizada, a Polícia Federal alerta para o risco iminente de decretação de liquidação extrajudicial.
  • A Fitch Ratings rebaixou o rating da instituição para 'CCC(bra)' antes de encerrar o monitoramento por falta de dados.
  • A PF sustenta que as manobras contábeis configuram crimes de gestão fraudulenta e empréstimos vedados a partes relacionadas.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para desarticular um suposto esquema de crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo o Banco Digimais. A investigação, que conta com o suporte de relatórios técnicos do Banco Central, aponta indícios de manipulação de balanços e demonstrações contábeis para ocultar a real situação financeira da instituição, controlada pelo bispo Edir Macedo desde 2020. O banco, anteriormente conhecido como Banco Renner, é alvo de apurações sobre gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em sistemas e o uso indevido de fundos de investimento. Autoridades destacaram que o modus operandi identificado apresenta semelhanças operacionais com casos investigados anteriormente, como o do Banco Master.

Novos desdobramentos da investigação detalham como a instituição teria inflado artificialmente o valor de ativos em seu balanço para esconder um déficit bilionário. Além da reavaliação de créditos ligados à Família Villela, que saltaram de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões, a PF identificou que sucessivas reavaliações de direitos creditórios sobre uma mesma ação geraram uma renda fictícia de R$ 199 milhões. O Banco Central detectou a irregularidade em 2023 e determinou a reversão da renda, mas o banco teria tentado manter os valores através de uma venda para sua própria controladora. Em resposta, o banco rebateu apontamentos da auditoria Clifton Larson Allen sobre a valorização de fundos que renderam R$ 639,8 milhões, alegando que as divergências decorrem apenas de prazos contábeis.

A estratégia de mascarar a deterioração da carteira também envolveria uma exposição de R$ 600 milhões a ativos do Banco Master, cuja qualidade é questionada. Investigadores afirmam que o objetivo seria blindar o patrimônio dos gestores, transferindo o risco da atividade bancária para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Paralelamente, a situação da instituição no mercado financeiro se agravou com a atuação das agências de risco. A Fitch Ratings rebaixou o rating do Banco Digimais para 'CCC(bra)', citando um risco real de quebra, antes de optar por encerrar o monitoramento por falta de informações suficientes. Em uma tentativa de sanear a gestão, o banco contratou recentemente Aldemir Bendine, ex-CEO do Banco do Brasil.

Atualmente, o Digimais busca a venda de seu controle societário ao BTG Pactual, uma operação que, segundo apurações, dependeria de um aporte de R$ 7 bilhões do FGC para ser viabilizada. A Polícia Federal alerta que, caso essa negociação não seja concretizada, o cenário aponta para o risco iminente de liquidação extrajudicial. Durante a ação realizada nesta terça-feira (23), cerca de 50 agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens dos investigados, e as autoridades seguem analisando os documentos apreendidos para determinar a extensão das atividades ilícitas e violações de limites de exposição de crédito.

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