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Dólar sobe a R$ 5,19 com ata do Copom e tensões geopolíticas

O dólar encerrou o dia em alta a R$ 5,19, pressionado pela ata do Copom e pela aversão ao risco global que impactou o Ibovespa e o setor de tecnologia.

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Foto: InfoMoney
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23/06 às 09:34 · atualizado 17:45

Pontos principais

  • O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,186, refletindo a cautela do mercado com a política monetária interna e externa.
  • A ata do Copom detalhou a redução da Selic, destacando a necessidade de conter a desancoragem das expectativas de inflação.
  • O presidente Donald Trump afirmou que o Irã aceitou inspeções nucleares, embora Teerã tenha apresentado versões divergentes.
  • EUA suspenderam o bloqueio naval no Estreito de Ormuz após supostas concessões iranianas.
  • O Ibovespa recuou 0,52% em um dia de aversão ao risco, com resistência frente à baixa de big techs e semicondutores.
  • Investidores monitoram a trajetória dos juros americanos e os sinais do Banco Central brasileiro.

O dólar encerrou o pregão em alta, cotado a R$ 5,186, em um movimento que reflete a reação dos investidores à ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento reforçou a cautela do Banco Central diante da desancoragem das expectativas de inflação, mantendo o mercado atento à condução da política de juros no Brasil. Em resposta à volatilidade, o Banco Central brasileiro realizou leilão de swap cambial, enquanto o Ibovespa enfrentou resistência, recuando 0,52% em um dia marcado pela cautela local e pela repercussão dos dados monetários.

No cenário externo, a pressão cambial é agravada pela aversão ao risco e pela expectativa de juros elevados nos Estados Unidos. As tensões geopolíticas seguem no radar, com o presidente Donald Trump afirmando que o Irã aceitou novas inspeções nucleares, uma declaração que contrasta com o posicionamento oficial de Teerã. Apesar da suspensão do bloqueio naval no Estreito de Ormuz pelos EUA, a incerteza global continua a impactar negativamente as bolsas, especialmente no setor de tecnologia e inteligência artificial, que registrou desempenho negativo no exterior.

A combinação de fatores domésticos e globais manteve o mercado financeiro em estado de alerta. Enquanto a ata do Copom serviu como o principal foco doméstico para a precificação de ativos, o desempenho das big techs no exterior adicionou uma camada extra de volatilidade ao Ibovespa. O mercado segue monitorando a trajetória dos juros americanos e os sinais do Banco Central brasileiro, buscando entender como a política monetária interna se ajustará diante do cenário de incertezas diplomáticas e da pressão sobre os ativos de risco.

Fonte primária

Banco Central do Brasil / Copom

Ata da 279ª Reunião do Copom (16–17 de junho de 2026)

O Copom decidiu, por unanimidade (7 votos), reduzir a Selic para 14,25% a.a. Sobre o cenário externo, a ata diz que o ambiente permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e das consequências já materializadas desses conflitos, com reflexos nas condições financeiras globais e elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities, somando-se às incertezas sobre a política econômica dos EUA — cenário que 'exige cautela por parte de países emergentes'. No cenário doméstico, o Comitê registra aceleração da atividade no 1º trimestre e mercado de trabalho ainda resiliente (desemprego em patamares historicamente baixos, rendimentos reais subindo acima da produtividade), enquanto a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, superando o limite superior da meta na última leitura do IPCA. As expectativas Focus para 2026 e 2027 seguem acima da meta, em 5,30% e 4,10%, com desancoragem adicional para horizontes mais longos, em particular 2028. No cenário de referência (câmbio partindo de R$5,10/US$), a projeção de inflação do Copom é de 5,2% para 2026 e 3,7% para o 4º tri de 2027 — distanciamento maior da meta frente aos 3,5% projetados na reunião anterior. O balanço de riscos permanece mais elevado que o usual, com assimetria altista. O Comitê reafirma 'serenidade e cautela' e diz que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada conforme a evolução do cenário, dependendo de maior clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio. Conclusão compartilhada por todos os membros: 'em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.'

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