Dólar fecha em R$ 5,17 com incertezas sobre juros nos EUA e Brasil
A moeda americana estende ganhos, atingindo R$ 5,17, pressionada pela postura hawkish do Fed e pela redução da Selic, que diminui a atratividade do carry trade no Brasil.
Pontos principais
- O dólar à vista encerrou o dia em alta de 1,26%, cotado a R$ 5,17, refletindo o fortalecimento global da divisa.
- O Federal Reserve manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, sinalizando possíveis altas até 2026 para conter a inflação.
- O Copom reduziu a Selic de 14,50% para 14,25%, mantendo tom cauteloso sobre a convergência da inflação local.
- A redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA pressiona o carry trade e incentiva a realocação de capital para o exterior.
- Analistas da StoneX destacam que a sinalização de continuidade do afrouxamento monetário pelo Copom surpreendeu o mercado.
- O UBS BB mantém visão construtiva para o real, argumentando que o prêmio de juros brasileiro permanece competitivo na América Latina.
- A prorrogação do cessar-fogo entre EUA e Irã por 60 dias mantém a estabilidade no Estreito de Ormuz.
O mercado financeiro encerrou a sessão desta quinta-feira com o dólar em trajetória de alta, atingindo R$ 5,17. A valorização da moeda americana é impulsionada pela postura hawkish do Federal Reserve, que manteve os juros entre 3,5% e 3,75% e sinalizou que novos aumentos permanecem como uma possibilidade concreta até 2026. Dados resilientes da economia americana reforçaram as expectativas de um ciclo de aperto monetário prolongado, o que tem motivado investidores a realocar capital da bolsa e da renda fixa brasileira em busca de maiores retornos nos Estados Unidos.
Internamente, o cenário é marcado pela digestão da decisão do Copom de reduzir a Selic para 14,25%. Segundo analistas da StoneX, a sinalização de continuidade no afrouxamento monetário surpreendeu os investidores, reduzindo o diferencial de juros que sustentava o carry trade. Essa mudança de percepção tem diminuído a atratividade de ativos locais para o capital estrangeiro, contribuindo para a pressão cambial observada nas últimas sessões. Especialistas preveem que o dólar possa manter uma trajetória de recuperação gradual ao longo do segundo semestre de 2026 caso a divergência entre as políticas monetárias se acentue.
Apesar da volatilidade, o ambiente apresenta visões divergentes. Enquanto a pressão sobre o real é evidente, o UBS BB mantém uma perspectiva construtiva, argumentando que o prêmio de juros brasileiro ainda se mostra competitivo frente a outros mercados emergentes na América Latina. Paralelamente, o cenário geopolítico oferece um alívio pontual com a prorrogação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã por 60 dias, garantindo a estabilidade no fluxo de mercadorias pelo Estreito de Ormuz. No setor corporativo, o otimismo pontual foi registrado pela Intel, que subiu 9% após anunciar uma parceria estratégica com a Apple para o design de chips em território americano.
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