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Lula critica interferência e ameaças tarifárias de Trump no G7

O presidente Lula rebateu críticas de Trump ao sistema eleitoral brasileiro e classificou como desaforada a ameaça de novas tarifas comerciais ao país.

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Foto: InfoMoney
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17/06 às 15:15 · atualizado 19:00

Pontos principais

  • Lula afirmou que as eleições brasileiras são um assunto interno e pediu que Trump não interfira no processo eleitoral.
  • O presidente brasileiro ironizou o conhecimento de Trump sobre o país e ofereceu apresentar o funcionamento das urnas eletrônicas.
  • Trump classificou o Brasil como um país perigoso ao comentar a situação jurídica de Eduardo Bolsonaro.
  • Lula repudiou a intenção de Trump de impor tarifas adicionais e classificar facções criminosas brasileiras como terroristas.
  • O Itamaraty monitora possíveis sinais de interferência americana, buscando diferenciar a situação política do Brasil da crise na Venezuela.
  • O governo brasileiro entregou um documento a Trump sobre o combate ao crime organizado e o fluxo de armas vindas de Miami.
  • Lula descartou uma reunião bilateral imediata, condicionando o diálogo ao avanço das negociações técnicas em curso.

Durante a cúpula do G7 em Évian, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra o presidente americano Donald Trump. Além de rebater declarações de Trump sobre o sistema eleitoral brasileiro, Lula enfatizou que o pleito é um problema exclusivo do Brasil, ironizando o conhecimento do líder americano sobre o país. O presidente brasileiro também criticou a postura de Trump, classificando como desaforada a ameaça de impor novas tarifas comerciais e de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, afirmando que o mandatário americano age como um imperador. O atrito também envolveu a situação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, caso que Trump utilizou para sugerir que o judiciário brasileiro joga pesado.

Em paralelo, o Itamaraty mantém um monitoramento constante sobre possíveis sinais de interferência da administração americana no processo eleitoral nacional. Diplomatas brasileiros têm buscado ativamente diferenciar a estabilidade institucional do Brasil da crise política na Venezuela, reagindo com cautela à retórica de Washington. O governo Lula reforça que, apesar das pressões externas, o país mantém suas instituições sólidas, buscando estabelecer limites claros contra o que classifica como ingerência indevida em sua soberania.

O posicionamento de Lula marca um momento de tensão diplomática e reforça a soberania nacional frente a comentários externos. O presidente brasileiro afirmou que Trump pode manter sua afinidade com a família Bolsonaro, mas deve evitar interferências nas eleições brasileiras. Lula confirmou que não solicitou um encontro bilateral, justificando a decisão pela necessidade de concluir negociações comerciais técnicas antes de qualquer diálogo de alto nível. Esta escalada verbal reflete o distanciamento crescente entre as gestões, com o Brasil reiterando disposição para dialogar, desde que as tratativas avancem de forma produtiva e respeitosa, sem o uso de ameaças tarifárias como instrumento de pressão política.

Fonte primária

Presidência da República (canal oficial de Lula)

Coletiva de imprensa do presidente Lula após o encerramento do G7

Na coletiva à imprensa ao fim da Cúpula do G7 (Évian-les-Bains, França, 17/06/2026), Lula respondeu a uma fala de Trump que chamou a situação política do Brasil de 'perigosa' e questionou a prisão de Bolsonaro. Sobre a interferência nas eleições: 'Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil, como as eleições americanas é um problema deles.' Disse esperar que Trump 'não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania' e ironizou: 'se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil, é o meu amigo Trump', citando a urna eletrônica. Sobre as tarifas, afirmou não ter pedido bilateral com Trump porque os governos seguem em negociação, mas classificou a medida como 'uma coisa desaforada pro Brasil' e disse que Trump 'ainda continua agindo como imperador'; reiterou expectativa de seguir negociando 'apesar do rompante deles'. Sobre crime organizado, contou ter entregado a Trump por escrito as demandas brasileiras ('o presidente Trump fala muito e ouve pouco'), citou lavagem de dinheiro de criminosos brasileiros via Delaware/Miami e disse ter se surpreendido com a punição que classificou facções como terroristas, lembrando a lei antifacção e a PEC da Segurança. Por fim, propôs discutir a questão comercial 'com seriedade' no G20, nos EUA, com presença de G7, Xi Jinping e eventual convite a Putin.

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