Vendas no varejo brasileiro recuam 1,5% em abril
O volume de vendas no varejo registrou queda de 1,5% em abril, o pior desempenho mensal em quase quatro anos, pressionado por juros e inflação.
Pontos principais
- O volume de vendas no varejo brasileiro caiu 1,5% em abril, interrompendo uma sequência de três meses de alta.
- O resultado foi o pior desempenho mensal desde junho de 2022 e o mais fraco para o mês de abril desde 2020.
- Seis das oito atividades varejistas monitoradas pelo IBGE apresentaram perdas no período.
- O setor de combustíveis e lubrificantes registrou queda de 6,2%, impactado pela instabilidade geopolítica internacional.
- O segmento de hiper e supermercados, de maior peso na pesquisa, apresentou crescimento de 1,3%.
- Analistas e o IBGE apontam que a fragilidade no consumo reflete a estagnação no crédito, rendimento e ocupação, além da política monetária restritiva.
- No acumulado de 12 meses, o setor de comércio mantém uma expansão de 1,5%.
O volume de vendas no varejo brasileiro apresentou uma retração de 1,5% em abril na comparação com o mês anterior, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. Este resultado marca a primeira queda do setor em 2026 e interrompe uma sequência de três meses de alta, representando o desempenho mensal mais fraco em quase quatro anos. O varejo ampliado também acompanhou a tendência negativa, recuando 0,7%, pressionado principalmente pelos segmentos de veículos e materiais de construção. O resultado ficou abaixo das projeções de analistas, que esperavam uma retração de 0,60%.
O recuo foi impulsionado por uma queda generalizada, com seis das oito atividades monitoradas apresentando perdas. O destaque negativo foi o grupo de combustíveis e lubrificantes, que caiu 6,2%, influenciado pela instabilidade geopolítica envolvendo EUA, Israel e Irã, que pressiona os preços globais. Em contrapartida, o setor de hiper e supermercados, que possui o maior peso na composição do índice, registrou crescimento de 1,3%. Economistas e técnicos do IBGE apontam que a fragilidade no consumo reflete um cenário de desaceleração na atividade econômica interna, agravado pela política monetária restritiva que encarece o crédito e pressiona o orçamento das famílias.
Além dos fatores monetários, o IBGE destacou que a estagnação nos indicadores de rendimento e ocupação, somada à inflação, contribui para um cenário de possível mudança estrutural no padrão de consumo das famílias brasileiras. Apesar do resultado negativo em abril, que frustrou as expectativas do mercado financeiro, o comércio ainda sustenta uma expansão de 1,5% no acumulado dos últimos 12 meses, mantendo uma trajetória de crescimento moderado no longo prazo.
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