Daily Journal
Daily Journal

Trump critica operações em Israel e defende acordo nuclear com Irã

O presidente Donald Trump pressiona por mudanças estratégicas no Líbano e defende um novo memorando para impedir o desenvolvimento nuclear iraniano.

Daily Journal
Foto: InfoMoney
||
16/06 às 09:32 · atualizado 13:34

Pontos principais

  • Donald Trump criticou a intensidade dos ataques israelenses no Líbano, citando o alto número de mortes civis.
  • O presidente sugeriu que a Síria, sob comando de Ahmed Sharaa, seria mais eficaz na neutralização do Hezbollah.
  • Trump anunciou um acordo de paz com o Irã a ser formalizado em Genebra, gerando insatisfação em Israel.
  • O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as tropas israelenses não se retirarão do sul do Líbano.
  • O Hezbollah condicionou o avanço das negociações nucleares entre Irã e EUA à retirada das forças israelenses do território libanês.
  • Negociações técnicas entre autoridades americanas e iranianas estão previstas para ocorrer na Suíça.
  • Aliados europeus expressaram preocupações sobre a condução das tratativas diplomáticas pela equipe americana.

O presidente Donald Trump intensificou sua atuação diplomática no Oriente Médio ao criticar a postura militar de Israel no Líbano e defender um novo memorando de 14 pontos firmado com o Irã. Durante a cúpula do G7 na França, Trump manifestou desaprovação quanto aos ataques israelenses, alegando que a intensidade das operações causa excessivas mortes de civis. O presidente sugeriu que a Síria teria maior capacidade estratégica para desarmar o Hezbollah, sinalizando uma possível mudança na política externa dos EUA. Em resposta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que as tropas israelenses não se retirarão do sul do Líbano, mantendo a postura militar apesar da pressão americana.

Paralelamente, o anúncio de um acordo de paz com o Irã, a ser formalizado em Genebra, gerou insatisfação em Israel. O Hezbollah, por sua vez, condicionou o avanço das negociações nucleares entre Teerã e Washington à retirada das forças israelenses do território libanês. Enquanto negociações técnicas estão agendadas para ocorrer na Suíça, a estratégia de Trump enfrenta ceticismo de aliados europeus, que questionam a viabilidade das tratativas. O posicionamento reflete uma tentativa da administração de reconfigurar a influência regional, equilibrando a pressão sobre aliados e a busca por acordos de não proliferação em um cenário de crescentes tensões.

Fonte primária

The White House (vídeo C-SPAN)

Remarks de Trump em reunião bilateral com o Emir do Catar — G7, Évian (16/06/2026)

Em coletiva ao lado do Emir do Catar à margem da cúpula do G7 em Évian, Trump critica a condução de Israel no Líbano: diz que Israel está lutando contra o Hezbollah "há tempo demais", que gente demais está sendo morta e que "você não precisa derrubar um prédio de apartamentos toda vez que procura alguém, porque tem muita gente nesses prédios e nem todos são Hezbollah". Afirma que sugeriu a Israel deixar a Síria cuidar do Hezbollah — "acho que fariam um trabalho melhor" — elogiando o atual líder sírio (que diz ter ajudado a instalar junto com Erdogan) como "muito capaz" e que "não gosta" do Hezbollah: "se Israel não consegue fazer o trabalho sem matar todo mundo, a Síria fará". Diz não ter gostado do ataque israelense em Beirute duas horas antes da assinatura do acordo com o Irã, chamando-o de "vicioso" e "demais". Mantém "ótima relação" com Netanyahu, mas afirma que "Bibi tem que ser mais responsável com o Líbano" e que não está feliz com o modo como Israel lidou com Líbano e Hezbollah — "deveriam ter conseguido fazer o trabalho mais rápido". Trata o conflito no Líbano como "a guerra menor" / "um espeto" (Hezbollah), sendo o Irã "o grande", e diz que o acordo com o Irã sobrevive mesmo se Israel atacar o Líbano. Sobre o acordo nuclear, afirma que está "fechado", é "justo" e "bom", e segue para uma segunda fase; que o Irã "nunca terá uma arma nuclear" — não vai desenvolver, comprar nem adquirir, sob pena de "todo o inferno cair sobre eles". Contrasta com o JCPOA de Obama: "este acordo é um muro contra a arma nuclear; o dele era uma estrada para a arma nuclear". Diz que os EUA não estão investindo dinheiro no Irã, que os bombardeiros B-2 destruíram o material enriquecido ("poeira nuclear") e que o Irã estava "a duas semanas" de ter a arma; conclui que, sem ele ter rasgado o acordo de Obama e feito os ataques, "Israel não existiria hoje".

Comentários

Carregando comentários...