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TCU aprova com ressalvas as contas do governo Lula de 2025

O TCU aprovou as contas de 2025 com ressalvas, destacando preocupações com a trajetória da dívida pública, gestão de estatais e superestimativa de receitas.

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Foto: G1 Política
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10/06 às 14:02 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O déficit do Governo Central atingiu 0,47% do PIB, superando a meta fiscal estabelecida.
  • O tribunal criticou a falta de análise técnica no empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios e falhas na gestão da Pré-Sal Petróleo S.A.
  • Renúncias fiscais somam R$ 544 bilhões, sendo que quase metade não possui prazo de vigência ou avaliação periódica.
  • O relatório apontou superestimativa de receitas em R$ 60 bilhões e falta de transparência em despesas fora do Orçamento.
  • Despesas obrigatórias representam 91,4% do orçamento, limitando a flexibilidade da gestão federal.
  • O TCU identificou falta de rastreabilidade na execução de emendas parlamentares e monitoramento insuficiente de aportes em estatais.
  • O parecer prévio favorável, acompanhado de ressalvas técnicas, foi enviado ao Congresso Nacional para o julgamento final.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, por unanimidade e com ressalvas, o parecer prévio sobre as contas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relativas ao exercício de 2025. O documento, relatado pelo ministro Benjamin Zymler, aponta preocupações estruturais com a gestão fiscal, destacando a superestimativa de receitas em R$ 60 bilhões e a concessão de benefícios fiscais sem amparo legal. O tribunal ressaltou que as renúncias fiscais alcançaram R$ 544 bilhões, com uma parcela significativa carecendo de mecanismos de controle, enquanto 91,4% das despesas do governo são de natureza obrigatória, restringindo a flexibilidade orçamentária do Executivo.

Entre os pontos críticos, a corte questionou a falta de análise técnica adequada no empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios e deficiências na supervisão da Pré-Sal Petróleo S.A. O tribunal também alertou para a falta de transparência em despesas fora do Orçamento e problemas na rastreabilidade de emendas parlamentares. O déficit do Governo Central, que atingiu 0,47% do PIB, superou a meta fiscal, elevando as preocupações do órgão sobre a trajetória do endividamento público a longo prazo. O parecer técnico segue agora para o Congresso Nacional, que detém a competência constitucional para realizar o julgamento final das contas.

Fonte primária

Tribunal de Contas da União (TCU)

Contas do Presidente da República — exercício de 2025 (Relatório e Parecer Prévio, TC 005.405/2026-2)

Relatório que fundamenta o parecer prévio sobre as contas do presidente da República de 2025, apreciado pelo plenário do TCU em 10/6/2026 sob relatoria do ministro Benjamin Zymler (processo TC 005.405/2026-2). O TCU aponta oito achados: (1) esforço fiscal insuficiente — déficit primário do Governo Central de R$ 58,69 bi (0,46% do PIB) e DBGG/PIB subindo de 76,3% para 78,7%, com superávit estabilizador estimado em 1,94% do PIB; (2) meta de resultado primário cumprida apenas via deduções excepcionais de R$ 48,7 bi (déficit ajustado de R$ 10 bi, dentro da banda) e uso do limite inferior da banda como parâmetro de contingenciamento; (3) receitas e despesas fora do orçamento, com irregularidade conclusiva no caso da PPSA (Lei 15.075/2024 permite deduzir remuneração antes do repasse à Conta Única); (4) gastos tributários de R$ 544,4 bi (4,78% do PIB), incompatíveis com a meta de 2% do PIB da EC 109/2021; (5) PPA 2024-2027 com apenas 50,1% dos objetivos e 45,1% das entregas no alvo; (6) novos projetos incluídos sem atender obras em andamento (art. 45 da LRF) em MCid, MIDR e Codevasf; (7) Regra de Ouro pressionada, com insuficiência de R$ 313,5 bi no PLOA 2026; (8) garantia da União à operação de crédito de R$ 12 bi dos Correios (custo projetado de R$ 34,2 bi até 2040) concedida com análise técnica insuficiente da STN e atuação tardia do controlador. Conclusão do relatório: a política fiscal de 2025 aderiu às regras vigentes, mas operou por mecanismos de acomodação que reduzem a transparência e pressionam a sustentabilidade da dívida; as fragilidades não comprometem a confiabilidade global das informações. O parecer prévio subsidia o julgamento das contas pelo Congresso Nacional.

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