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Auditoria revela falta de transparência em aluguéis da família real britânica

Relatório do National Audit Office expõe disparidades em contratos imobiliários reais, incluindo sublocações lucrativas e pagamentos feitos pelo Rei Charles III.

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Foto: NYTimes World
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05/06 às 02:02 · atualizado 13:32

Pontos principais

  • O National Audit Office identificou disparidades na gestão de propriedades, variando de valores de mercado a pagamentos simbólicos.
  • O príncipe Andrew sublocou três chalés na Royal Lodge para obter lucro pessoal, apesar de ocupar a propriedade sem pagar aluguel.
  • O rei Charles III custeia a acomodação das princesas Beatrice e Eugenie em palácios reais.
  • O Duque e a Duquesa de Edimburgo também foram identificados beneficiando-se do subarrendamento de propriedades da Crown Estate.
  • O uso comercial de bens vinculados à Coroa levanta questionamentos sobre a governança e a transparência do patrimônio real.
  • Uma comissão parlamentar planeja investigar a administração dos bens da Coroa ainda este ano.
  • O príncipe Andrew enfrenta investigações policiais por suspeita de repasse de documentos confidenciais a Jeffrey Epstein.

Um relatório inédito do National Audit Office expôs falhas na transparência da gestão do patrimônio imobiliário da família real britânica. A auditoria detalhou acordos complexos, revelando que o príncipe Andrew utilizou a Royal Lodge — mansão que ocupa sem custos de aluguel — para gerar renda privada ao sublocar três casas de campo situadas no terreno. O documento aponta ainda que o rei Charles III é responsável pelo pagamento de aluguéis das residências das princesas Beatrice e Eugenie, membros não trabalhadores da realeza, dentro de palácios reais. Além disso, o relatório identificou que o Duque e a Duquesa de Edimburgo também se beneficiaram de arranjos de subarrendamento de propriedades vinculadas à Crown Estate, evidenciando uma disparidade significativa nos valores praticados pela monarquia.

Além das críticas à governança e ao uso de ativos reais para fins de lucro pessoal, a situação do príncipe Andrew é agravada por investigações policiais em curso, que apuram a suspeita de repasse de documentos confidenciais a Jeffrey Epstein. Diante da repercussão das revelações sobre a falta de clareza na administração desses bens, uma comissão parlamentar britânica anunciou que planeja investigar a gestão das propriedades reais ainda este ano, visando maior rigor na fiscalização do uso dos imóveis pela família real.

Fonte primária

National Audit Office (NAO) — HC 26, Session 2026-27

Investigation into residential property arrangements with members of the Royal family

Revisão factual do NAO sobre os imóveis residenciais cedidos a membros da família real por duas entidades: The Crown Estate (TCE) e a Royal Household. TCE administra 2.475 imóveis residenciais (5 ocupados por membros da realeza, 2 por seus funcionários) e é obrigada a obter o melhor preço de mercado ao alugar; a Household administra 255 imóveis dentro dos palácios reais ocupados. Achados de transparência/condições: (1) Royal Lodge — Andrew Mountbatten-Windsor pagava 'peppercorn rent' (aluguel simbólico, na prática £0) após se comprometer a gastar £7,5 mi em reforma, o que reduziu o prêmio de capital para £1 mi; ele subalugou três chalés da propriedade e embolsou a renda, mas 'não sabemos qual aluguel foi cobrado' (the NAO). O contrato tem cláusula de rescisão antecipada que pode dar a Andrew compensação de até £301.967,66, dependendo do estado do imóvel na devolução. (2) Não-trabalhadores da realeza (Princesas Beatrice e Eugenie e o Príncipe e Princesa Michael de Kent) pagam aluguel ajustado de tipicamente 60% do valor de mercado, custeado pelo Privy Purse (renda privada do rei via Ducado de Lancaster); o NAO constatou que os aluguéis 'não foram consistentemente fixados em 60%' do valor de mercado disponível e que não havia avaliação registrada no contrato dos Kent antes de 2026. (3) 11 membros ativos ocupam 7 residências oficiais sem custo, em troca de funções oficiais. A Household gerou £3,6 mi de receita de aluguéis em 2024-25; TCE gerou £21 mi em seu portfólio residencial e devolveu £1,1 bi de lucro líquido ao HM Treasury. Escopo: a investigação NÃO examinou os Ducados de Cornwall e Lancaster nem residências privadas, é uma revisão factual e explicitamente NÃO avalia value for money nem faz recomendações.

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