Delação de Daniel Vorcaro trava por resistência em detalhar pagamentos
Dono do Banco Master apresenta nova proposta de delação à PGR e PF, incluindo a possível devolução de R$ 60 bilhões aos cofres públicos.
Pontos principais
- Daniel Vorcaro apresentou uma nova versão de sua delação premiada após a rejeição de propostas anteriores pela Polícia Federal.
- A negociação atual contempla a possível devolução de R$ 60 bilhões, enquanto o banqueiro permanece preso desde março.
- Investigações apuram crimes de corrupção, obstrução de justiça e manutenção de milícia armada envolvendo o empresário e seu pai, Henrique Vorcaro.
- A defesa mantém a tese de que repasses a autoridades foram motivados por amizade, o que gera impasse com investigadores.
- O caso envolve suspeitas de repasses mensais de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira e relações financeiras com familiares de ministros do STF.
- Há divergências estratégicas entre a PF, que rejeitou a proposta inicial, e a PGR, que demonstra maior abertura para negociar o acordo.
- A nova proposta foi protocolada na segunda-feira, seguida de um adendo na terça-feira, aguardando agora análise das autoridades.
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, submeteu uma versão atualizada de sua proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O movimento ocorre após a rejeição de uma tentativa anterior, considerada insuficiente pelos investigadores por não apresentar fatos inéditos. A nova proposta, protocolada na segunda-feira com um adendo entregue na terça-feira, inclui a possibilidade de devolução de R$ 60 bilhões aos cofres públicos. Vorcaro permanece detido em Brasília desde março, sob suspeita de obstrução de justiça e manutenção de milícia armada, em um processo que também resultou na prisão de seu pai, Henrique Vorcaro.
O impasse nas negociações persiste devido à insistência da defesa em classificar repasses a autoridades como atos de amizade, tese contestada pelos investigadores. O caso envolve figuras de alto escalão, incluindo o senador Ciro Nogueira — alvo da Operação Compliance Zero por supostos pagamentos mensais de R$ 300 mil — e relações financeiras do Banco Master com familiares de ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Enquanto a PF mantém uma postura de maior rigor, a PGR tem demonstrado disposição para avaliar os novos termos. Caso a colaboração seja validada, o acordo ainda precisará ser submetido à homologação judicial para ter validade jurídica.
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