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Tarifas de 25% dos EUA podem atingir até 27% das exportações brasileiras

Proposta de tarifas dos EUA gera incertezas no mercado, com impacto severo no setor de máquinas e equipamentos e preocupações sobre a competitividade industrial.

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Foto: InfoMoney
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02/06 às 12:15 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A proposta de tarifa de 25% baseia-se na Seção 301 da legislação comercial dos EUA e pode afetar entre 21% e 26,9% das exportações brasileiras.
  • O setor de máquinas e equipamentos é apontado pelo governo como o segmento mais prejudicado pela medida.
  • Setores industriais do Rio Grande do Sul, como tabaco, calçados e móveis, podem ter 70% de suas exportações aos EUA impactadas.
  • O governo brasileiro estuda utilizar a Lei de Reciprocidade como resposta técnica às sanções americanas.
  • O USTR cita divergências sobre o uso do Pix, comércio digital e questões ambientais como motivações para a sanção.
  • A CNI alerta para o impacto negativo na balança comercial, enquanto a WEG avalia ampliar a produção local nos EUA.
  • Audiência pública está agendada pelo USTR para 6 de julho, com decisão final sobre as sanções prevista para 15 de julho de 2026.

A possível imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, sob a gestão de Donald Trump, gerou uma reação negativa no mercado e incertezas para o setor industrial. O governo brasileiro estima que a medida, fundamentada na Seção 301 da Lei Comercial americana sob alegação de práticas desleais, pode atingir até 27% das exportações nacionais. O ministro Márcio Elias Rosa destacou que o setor de máquinas e equipamentos seria o mais prejudicado, somando-se às preocupações de setores tradicionais do Rio Grande do Sul, onde a Fiergs projeta que até 70% das exportações industriais podem ser afetadas. Enquanto a WEG, empresa com maior exposição ao mercado americano, avalia acelerar a produção em fábricas locais para contornar as barreiras, a Embraer foi excluída do escopo da investigação.

As justificativas americanas envolvem divergências sobre o uso do Pix, comércio digital e regulações de redes sociais, pontos que o Ministério da Fazenda brasileiro classificou como politicamente motivados. Em resposta, o governo federal estuda utilizar a Lei de Reciprocidade como mecanismo de defesa, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que a medida pode deteriorar a balança comercial brasileira, que já enfrenta queda de 4,2% nas exportações de bens de transformação em 2025. A Firjan defende uma atuação coordenada entre governo e setor privado para destacar a complementaridade das cadeias produtivas e os efeitos inflacionários que a taxação causaria aos próprios consumidores americanos.

Como alternativa ao protecionismo, o setor produtivo reforça a importância da conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia para diversificar mercados. Paralelamente, o governo prepara sua defesa técnica focando em negociações sobre minerais críticos para tentar reverter a decisão. A CNI pretende utilizar a audiência pública agendada pelo USTR para o dia 6 de julho para debater a proposta, cujo prazo final para a implementação definitiva das sanções se estende até 15 de julho de 2026.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR)

Section 301 — Brazil: Notice of Determination and Proposed Action (Federal Register notice, 1 jun 2026)

O USTR determinou, sob a Seção 301(b) da Lei de Comércio de 1974, que certas práticas do Brasil são "unreasonable" e oneram ou restringem o comércio dos EUA, em seis frentes: (1) comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (ordens judiciais sigilosas e multas contra plataformas de mídia social americanas); (2) tarifas preferenciais a Mexico e India em centenas de produtos; (3) aplicação insuficiente das leis anticorrupção; (4) proteção fraca à propriedade intelectual (falsificações, exame lento de patentes); (5) acesso ao mercado de etanol (Brasil teria abandonado em 2017 um tratamento tarifário equilibrado e não oferece reciprocidade); e (6) desmatamento ilegal (fiscalização inadequada apesar do arcabouço legal). Como ação proposta, o USTR "proposes to determine that action is appropriate and that appropriate action would include applying tariffs of 25% on all goods of Brazil", com isenções para determinados bens — materiais informativos, doações, bagagem acompanhada, todos os artigos e partes já sujeitos às tarifas da Seção 232, e produtos específicos listados no Anexo. As isenções abrangem matérias-primas cuja taxação poderia gerar indisponibilidade de oferta doméstica, produtos que causariam disrupção econômica generalizada, itens que os EUA não produzem em quantidade suficiente nem obtêm de outras fontes, e produtos para os quais a tarifa não contribuiria substancialmente para eliminar as práticas brasileiras. A medida ainda não está em vigor: o período de comentários públicos abriu em 1 jun 2026 e fecha em 1 jul 2026; pedidos para depor na audiência são até 22 jun; a audiência ocorre em 6 jul 2026 (dockets USTR-2026-0331 para comentários e USTR-2026-0397 para a audiência). A investigação foi iniciada em 15 jul 2025 por determinação do presidente Trump; o USTR recebeu depoimentos de mais de 30 testemunhas e mais de 295 comentários antes desta determinação.

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