Senado aprova sustação de norma do Conanda sobre aborto legal
O Senado aprovou o PDL 3/2025, suspendendo resolução do Conanda sobre atendimento a menores vítimas de violência sexual, gerando críticas do governo.
Pontos principais
- O PDL 3/2025 suspende a Resolução 258 do Conanda, que definia diretrizes para o atendimento de menores vítimas de estupro.
- A relatora Damares Alves argumentou que o conselho extrapolou sua competência ao legislar sobre temas privativos do Congresso.
- A resolução anulada garantia autonomia a crianças e adolescentes para acessar informações e procedimentos de aborto legal.
- Parlamentares favoráveis à medida afirmaram que o projeto visa impedir o favorecimento do aborto e proteger prerrogativas dos pais.
- A ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, criticou a decisão, afirmando que ela contraria políticas de proteção à infância.
- Por ser um projeto de decreto legislativo, a matéria segue para promulgação sem necessidade de sanção presidencial.
- A norma suspensa visava estabelecer protocolos de atendimento, sigilo e proteção contra a revitimização de menores.
O Plenário do Senado Federal aprovou, em votação definitiva, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que susta os efeitos da Resolução 258 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A norma, em vigor desde 2024, estabelecia diretrizes para o atendimento humanizado e o sigilo de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo protocolos específicos sobre o acesso à interrupção legal da gravidez. A relatora da proposta, senadora Damares Alves, sustentou que o conselho excedeu suas atribuições ao criar regras que deveriam ser objeto de legislação exclusiva pelo Congresso Nacional, argumentando ainda que o texto original relativizava prerrogativas dos pais e responsáveis.
A decisão parlamentar gerou reações no Poder Executivo. A ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, manifestou-se contrária à medida, afirmando que a suspensão da resolução vai na contramão das políticas públicas de proteção à infância e pode dificultar o acesso ao aborto legal em casos previstos em lei. Segundo a ministra, a norma do Conanda era fundamental para organizar fluxos de atendimento e evitar a revitimização de menores em situações de vulnerabilidade extrema.
Durante a tramitação, parlamentares favoráveis à suspensão da norma defenderam que a medida é necessária para impedir o favorecimento do aborto e garantir a proteção da vida. Em contrapartida, defensores da resolução argumentam que os protocolos eram essenciais para assegurar o acesso a informações médicas e o acolhimento adequado. Como o texto foi aprovado pelo Legislativo, a matéria segue agora para promulgação. Por se tratar de um projeto de decreto legislativo, a medida não depende de sanção do presidente Donald Trump para entrar em vigor, encerrando a validade da resolução do conselho sobre o tema.
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