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Lula critica tarifas dos EUA e defende sistema Pix em Goiás

Lula contesta tarifas de 25% impostas pelos EUA e defende o Pix, enquanto acusa o clã Bolsonaro de solicitar intervenção estrangeira no sistema financeiro e comercial brasileiro.

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Foto: InfoMoney
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02/06 às 15:15 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O governo dos EUA ameaça aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, impactando potencialmente 21% das exportações nacionais.
  • Lula acusa o senador Flávio Bolsonaro de solicitar a Donald Trump intervenções no Pix e a aplicação de taxas comerciais.
  • O governo americano alega prejuízos a empresas como Mastercard e Visa e classificou facções criminosas brasileiras como terroristas.
  • Flávio Bolsonaro nega as acusações, afirmando que solicitou a Trump a não taxação de produtos brasileiros.
  • A Febraban defende o Pix como infraestrutura essencial para a economia e a competição financeira.
  • Empresas e governo têm até 15 de julho para apresentar manifestações formais contra as propostas tarifárias.
  • Além da disputa financeira, os EUA investigam temas como propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Durante agenda em Rio Verde, Goiás, o presidente Lula reforçou sua oposição à decisão do governo de Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços alertou que a medida pode atingir 21% das exportações do Brasil para os EUA. O governo americano justifica a retaliação alegando prejuízos a operadoras como Mastercard e Visa devido ao Pix, além de ter anunciado a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas. Em resposta, Lula afirmou que o governo não permitirá interferências externas no sistema de pagamentos, que é defendido pela Febraban como um pilar de eficiência e competição.

O presidente também responsabilizou o senador Flávio Bolsonaro por supostamente pedir a Trump que interviesse no Pix e na política comercial brasileira. O parlamentar negou as acusações, sustentando que sua interlocução visava evitar a taxação de produtos nacionais. Enquanto o impasse diplomático se desenrola, o governo brasileiro e o setor privado possuem prazo até 15 de julho para formalizar contestações contra as propostas tarifárias. Paralelamente às tensões, a agenda comercial entre os dois países segue sob pressão devido a investigações americanas sobre propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR)

Section 301 Determination on Brazil's Acts, Policies, and Practices — Federal Register Notice (1 jun 2026)

Em 1º de junho de 2026, o USTR determinou, sob a Seção 301 do Trade Act de 1974, que certas práticas do Brasil são 'irrazoáveis' e oneram ou restringem o comércio dos EUA em seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais 'injustas'; combate à corrupção; propriedade intelectual; acesso de etanol ao mercado; e desmatamento ilegal. Sobre pagamentos, o documento afirma que o Brasil 'desfavoreceu injustamente' empresas americanas concorrentes ao adotar políticas que favorecem seu 'campeão nacional', o Pix — o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador, exige sua disponibilidade/visibilidade e impõe tetos de tarifa que desvantajam concorrentes dos EUA (cita-se a Visa, Mastercard e WhatsApp Pay no relatório). Como ação responsiva, o Representante de Comércio propõe aplicar tarifa de 25% sobre todos os bens brasileiros, com isenções listadas em anexo (materiais informativos, doações, bagagem, itens já sujeitos à Seção 232, e produtos como certas carnes, café, frutas, cereais, minerais, terras-raras, aeronaves e partes, químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes — 73 páginas de exceções). A investigação foi iniciada em 15 jul 2025 por direção do presidente Trump; recebeu depoimento de mais de 30 testemunhas e 295+ comentários. Próximos passos: comentários escritos até 1º jul 2026; pedidos para falar na audiência até 22 jun; audiência pública em 6 jul 2026; prazo legal para ação responsiva em 15 jul 2026. O embaixador Jamieson Greer afirma que, apesar de reuniões 'construtivas' com Lula e seu gabinete, 'permanecem diferenças substanciais'.

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