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Governo brasileiro contesta investigação dos EUA sobre o Pix

O governo reafirma a soberania sobre o Pix em meio a tensões comerciais com os EUA, que ameaçam tarifar 21% das exportações nacionais.

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Foto: InfoMoney
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02/06 às 12:45 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O governo brasileiro contesta a investigação 'Seção 301' dos EUA, defendendo o Pix como infraestrutura pública neutra.
  • O USTR propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando suposto favorecimento indevido do Banco Central no sistema.
  • O MDIC estima que a taxação proposta pode atingir 21% das exportações brasileiras, afetando setores como máquinas, calçados e plásticos.
  • Lula e Trump estabeleceram o prazo de 15 de julho para negociações diplomáticas visando evitar sanções tarifárias.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o Pix não será objeto de concessões e classificou a pressão como politicamente motivada.
  • O Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade, permitindo ao Brasil retaliar caso as tarifas americanas sejam confirmadas.
  • O governo aponta que a resistência ao Pix reflete interesses privados estrangeiros e contaminação política na agenda bilateral.

O governo brasileiro intensificou as tratativas para reduzir tarifas impostas pelos Estados Unidos, após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propor taxas de 25% sobre produtos nacionais. A tensão diplomática decorre de uma investigação comercial americana que critica o Banco Central do Brasil por atuar simultaneamente como regulador e operador do Pix. Autoridades brasileiras, incluindo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, classificaram as críticas como injustificadas e reafirmaram que o sistema é um patrimônio nacional, mantendo-o fora de qualquer pauta de negociação com Washington. Durigan destacou que o Pix é uma tecnologia democrática e gratuita que atrai interesse internacional, sugerindo que a pressão americana é alimentada por interesses privados estrangeiros e contaminação política.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que a medida pode impactar 21% das exportações brasileiras para o mercado americano. Setores como máquinas, equipamentos, calçados e produtos de plástico estão entre os mais expostos ao risco tarifário. Em meio ao cenário, o ministro Márcio Elias Rosa criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro em Washington, argumentando que movimentações políticas paralelas prejudicam a cooperação entre as autoridades dos dois países e reforçam a narrativa de oposição ao sistema nacional.

Em resposta ao cenário de incerteza, o presidente Lula e o presidente Donald Trump estabeleceram o dia 15 de julho como prazo final para negociações em um grupo de trabalho bilateral. Paralelamente, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade, que confere ao Executivo respaldo legal para retaliar caso as sanções sejam confirmadas. Embora a proposta de tarifas ainda esteja em fase de consulta pública, o governo brasileiro mantém a postura de que a preservação do Pix é uma questão de soberania nacional, refutando as alegações de concorrência desleal com base em indicadores de conformidade regulatória.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR)

Section 301 Determination on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices

Em 1º de junho de 2026, o USTR determinou, sob a Seção 301(b) do Trade Act de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil são "irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA". O documento lista seis frentes: (1) Comércio digital e pagamentos eletrônicos — tribunais brasileiros teriam emitido ordens sigilosas mandando plataformas dos EUA removerem conteúdo político e suspenderem perfis, às vezes globalmente, com multas e bloqueio de ativos por descumprimento; e o Brasil "desfavoreceria injustamente empresas dos EUA em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por políticas que favorecem seu campeão nacional" (referência ao Pix/Banco Central); (2) Tarifas preferenciais — concessões a bens do México e da Índia via acordos de escopo parcial; (3) Anticorrupção — falha em fiscalização suficiente contra suborno e corrupção; (4) Propriedade intelectual — fiscalização inadequada contra falsificações, atrasos no exame de patentes e medidas antipirataria inconsistentes; (5) Etanol — fim do tratamento tarifário equilibrado em 2017, sem reciprocidade para o etanol dos EUA; (6) Desmatamento — fiscalização ineficaz apesar do arcabouço legal. O comunicado remete o detalhamento da ação tarifária proposta ao Federal Register e fixa o cronograma: pedidos para participar da audiência até 22 jun 2026; comentários por escrito até 1º jul 2026; audiência pública em 6 jul 2026; prazo legal para a ação final em 15 jul 2026.

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