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Dólar oscila com proposta de tarifa de 25% de Trump ao Brasil

O dólar manteve estabilidade em R$ 5,00, ignorando novas tarifas dos EUA devido a exceções, enquanto o Ibovespa busca recuperação no cenário externo.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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02/06 às 09:34 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,00, com queda de 0,35%.
  • O Ibovespa registrou alta, interrompendo uma sequência de cinco dias de perdas.
  • A proposta de Donald Trump de taxar produtos brasileiros em 25% segue sob análise, com negociações previstas até 15 de julho.
  • O mercado ignorou parte da pressão tarifária devido às exceções previstas na medida anunciada pelos EUA.
  • Analistas apontam que a divisa brasileira encontrou uma faixa de estabilidade entre R$ 5,00 e R$ 5,09.
  • Tensões geopolíticas persistem no Oriente Médio, com ataques de Israel no sul do Líbano e incertezas no Estreito de Ormuz.
  • O governo chinês reconheceu o Brasil como território livre de febre aftosa, beneficiando o setor exportador.

O mercado financeiro brasileiro apresentou um movimento de resiliência nesta terça-feira, com o dólar fechando estável em R$ 5,00 e o Ibovespa registrando alta. O desempenho da moeda superou as expectativas do relatório Focus, que projetava a cotação em R$ 5,15, mantendo-se em linha com o cenário externo. A reação positiva dos ativos sugere uma busca por barganhas após quedas recentes, mesmo diante da cautela com a proposta do presidente Donald Trump de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Investidores ignoraram parte da pressão inicial ao notar que a medida americana prevê exceções, o que, somado ao apetite internacional e à performance das commodities, ajudou a sustentar o viés positivo do pregão sem a necessidade de intervenções do Banco Central.

Além do cenário comercial, o mercado segue monitorando a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, marcada por ataques de Israel no sul do Líbano e incertezas sobre o tráfego no Estreito de Ormuz. Embora Donald Trump tenha sinalizado uma possível redução dos combates, o Irã ainda não respondeu oficialmente à proposta de cessar-fogo. Em meio a esse ambiente, o setor exportador brasileiro encontrou suporte no reconhecimento da China do Brasil como território livre de febre aftosa, fator que, junto à estabilidade cambial, ajuda a mitigar preocupações com a agenda protecionista da administração americana.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR) — Ambassador Jamieson Greer

USTR Section 301 Determination on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices

Determinação do USTR, sob a Seção 301 do Trade Act de 1974, de que certas práticas do Brasil são 'unreasonable' e oneram ou restringem o comércio dos EUA, e portanto acionáveis sob a Seção 301(b). Como resposta, o USTR propõe — para consulta pública, ainda não em vigor — uma tarifa de 25% sobre bens brasileiros, com uma extensa lista de exceções (a notícia do anexo no Federal Register traz 73 páginas: materiais informativos, doações, certas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves e peças brasileiras, químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes; ficam de fora também bens já sujeitos à Seção 232, como aço, alumínio, cobre e autopeças). A investigação foi aberta em 15 jul 2025 por direção direta do presidente Trump e recebeu depoimentos de mais de 30 testemunhas e mais de 295 comentários. As seis práticas consideradas acionáveis: (1) comércio digital e serviços de pagamento eletrônico — ordens judiciais sigilosas a plataformas dos EUA para remover conteúdo político e suspender perfis, multas e favorecimento a 'campeão nacional' em pagamentos; (2) tarifas preferenciais 'injustas' a bens do México e da Índia via acordos de escopo parcial; (3) enforcement insuficiente contra corrupção e suborno; (4) proteção deficiente de propriedade intelectual (pirataria, contrafação, lentidão em patentes biofarmacêuticas); (5) acesso ao mercado de etanol — fim do tratamento tarifário equilibrado desde 2017; (6) desmatamento ilegal — falha em fazer cumprir o próprio marco legal. Próximos passos: pedidos para depor até 22 jun 2026, comentários escritos até 1 jul 2026, audiência pública em 6 jul 2026, com prazo estatutário de 15 jul 2026 para a ação responsiva. Greer afirma que ainda há 'diferenças substanciais' com o governo Lula apesar de reuniões 'construtivas'.

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