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Irã suspende negociações com EUA e ameaça bloquear Estreito de Ormuz

Teerã interrompeu o diálogo diplomático e ameaçou fechar rotas de petróleo, enquanto o presidente Trump minimiza a interrupção das conversas.

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Foto: G1 Mundo
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01/06 às 06:45 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O Irã suspendeu as negociações indiretas com os EUA em protesto contra a continuidade dos ataques israelenses no Líbano.
  • Teerã ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab al-Mandeb como retaliação contra Israel e seus aliados.
  • A escalada das tensões provocou uma alta de mais de 5% nos preços do petróleo nos mercados internacionais.
  • O governo iraniano condiciona a retomada do diálogo ao fim das hostilidades no Líbano e à liberação de US$ 12 bilhões em ativos congelados.
  • A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ataques a uma base americana no Kuweit como resposta a ofensivas militares dos EUA.
  • O presidente Donald Trump minimizou a interrupção das negociações, sugerindo que o silêncio diplomático pode ser benéfico no momento.
  • O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a instabilidade regional.
  • O Irã emitiu um alerta oficial sobre a fragilidade do cessar-fogo mediado pelos EUA após novos ataques de Israel em Beirute.
  • A ofensiva israelense nos subúrbios ao sul de Beirute foi uma resposta direta a disparos de foguetes e drones realizados pelo Hezbollah.

O impasse diplomático entre Estados Unidos e Irã atingiu um novo nível de tensão com a suspensão oficial das negociações de paz por parte de Teerã. O governo iraniano interrompeu a troca de mensagens diplomáticas em protesto contra os ataques de Israel no Líbano, que se intensificaram após disparos de foguetes e drones pelo Hezbollah contra o norte de Israel. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, reforçou que a responsabilidade por qualquer desdobramento negativo recai sobre Washington e Tel Aviv, alertando que o cessar-fogo mediado pelos EUA enfrenta seu momento mais crítico desde a implementação. A situação se agravou com a ameaça iraniana de bloquear o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab al-Mandeb, gerando impacto imediato nos mercados globais com a alta nos preços do petróleo.

Enquanto Israel mantém bombardeios em Beirute, alegando a necessidade de criar uma zona de segurança no sul do Líbano, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou ofensivas contra uma base dos EUA no Kuweit. A decisão de suspender o diálogo coloca sob risco o frágil equilíbrio regional. Diante da escalada, o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência, enquanto o programa nuclear iraniano permanece fora do escopo das negociações atuais, que se concentram exclusivamente no encerramento do conflito regional e na estabilidade das rotas de navegação.

Em Washington, o presidente Donald Trump minimizou os relatos sobre a interrupção das conversas. Durante declarações recentes, o mandatário afirmou não possuir informações detalhadas sobre o encerramento do diálogo e sugeriu que, no atual cenário, o silêncio diplomático poderia ser benéfico. Apesar da postura do presidente, a interrupção do contato e as ameaças às rotas de navegação complicam os esforços de mediação, elevando o temor de um conflito regional mais amplo que possa comprometer a segurança energética global.

Fontes primárias

Equipe negociadora do Irã (comunicado via Tasnim / WANA)

Comunicado da equipe negociadora do Irã — suspensão das negociações indiretas com os EUA

Em comunicado divulgado em 1º de junho de 2026 pela agência Tasnim (ligada à Guarda Revolucionária) e replicado pela WANA, a equipe negociadora iraniana anunciou a suspensão das negociações indiretas e da 'troca de conversas e textos por meio de mediadores' com os Estados Unidos. A decisão é justificada pela continuação dos crimes do regime israelense no Líbano: como o Líbano era uma das precondições do cessar-fogo e essa trégua foi agora violada em todas as frentes, inclusive no Líbano, os negociadores interrompem o diálogo. O comunicado reitera a exigência de cessação imediata das campanhas militares em Gaza e no Líbano. Segundo o Financial Times, a suspensão permanece em vigor até que 'as posições do Irã e de suas forças aliadas sejam levadas em conta'.

Ministério das Relações Exteriores do Irã (porta-voz Esmaeil Baghaei)

Briefing do porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei — 1º de junho de 2026

No briefing semanal de imprensa de 1º de junho de 2026, o porta-voz da Chancelaria, Esmaeil Baghaei, afirmou que 'um cessar-fogo no Líbano é condição essencial para qualquer acordo' destinado a encerrar a guerra, tratando-o como linha vermelha. Acusou os EUA de também violarem o cessar-fogo — citando ataque naquela manhã a uma torre de telecomunicações em cidade portuária do sul do Irã — e disse que Teerã considera as ações israelenses na região, inclusive no Líbano, inseparáveis das dos EUA. Ressalvou que ainda não houve negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear ('nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra') e que a troca de mensagens com Washington prosseguia 'sob extrema desconfiança e pessimismo', sem conclusão final — nuance que contrasta com o tom de ruptura do comunicado da equipe negociadora no mesmo dia.

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