EUA e Irã negociam cessar-fogo com mediação do Paquistão
Esforços diplomáticos liderados pelo Paquistão buscam evitar um conflito armado, enquanto avanços no tema nuclear contrastam com impasses sobre Ormuz.
Pontos principais
- O chefe do exército paquistanês, Asim Munir, lidera negociações em Teerã para reduzir tensões regionais.
- Washington exige a exportação de urânio enriquecido, enquanto o controle do Estreito de Ormuz permanece como impasse crítico.
- O presidente Donald Trump mantém a ameaça de ações militares caso as negociações diplomáticas fracassem.
- Fontes indicam um entendimento inicial sobre o programa nuclear, condicionado ao levantamento gradual de sanções americanas.
- O governo iraniano exige garantias formais contra pressões externas de Israel para viabilizar um acordo futuro.
- O porta-voz iraniano, Esmaeil Baghaei, classificou as divergências remanescentes como profundas e extensas.
As negociações para um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã ganharam novo fôlego com a intensificação de esforços diplomáticos regionais. O chefe do exército do Paquistão, Asim Munir, atua como intermediário em Teerã, buscando prevenir a retomada de um conflito armado em larga escala. Embora o governo iraniano descreva a visita como parte de um processo contínuo, a presença de mediadores reforça a urgência internacional em estabilizar a região, que enfrenta ameaças de ataques iminentes por parte dos EUA e de Israel. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reconheceu sinais positivos no diálogo, embora a Casa Branca mantenha uma postura rígida quanto às exigências de segurança.
O cerne das conversas envolve o controle estratégico do Estreito de Ormuz e a demanda de Washington pela exportação do urânio enriquecido. Recentemente, as tratativas sobre o programa nuclear apresentaram sinais de avanço, condicionados ao levantamento gradual de sanções, mas o Irã exige garantias formais contra interferências externas. Apesar da mediação ativa, o presidente Donald Trump reiterou que a possibilidade de ações militares permanece sobre a mesa caso os termos de um eventual acordo não sejam cumpridos. O sucesso dessas tratativas é considerado fundamental para evitar uma escalada regional significativa que comprometeria o fluxo global de energia.
Fontes primárias
Declarações do Secretário de Estado Marco Rubio à imprensa (Helsingborg, Suécia)
Em entrevista a jornalistas em Helsingborg, à margem da reunião de chanceleres da OTAN, Rubio afirmou que houve 'algum progresso ligeiro' nas negociações mediadas pelo Paquistão: 'não quero exagerar, mas houve um pouco de movimento, e isso é bom'. Disse que os fundamentos seguem os mesmos, o Irã 'nunca pode ter uma arma nuclear' e a questão do enriquecimento de urânio terá de ser resolvida. Acusou Teerã de tentar criar um 'sistema de pedágio' no Estreito de Ormuz e de tentar convencer Omã a aderir, afirmando que 'não há país no mundo que deva aceitar isso'.
Briefing do porta-voz da Chancelaria do Irã, Esmaeil Baghaei, sobre as negociações com os EUA
Em entrevista à TV estatal, o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou que a troca de mensagens com os EUA continua por meio do mediador paquistanês, com base no texto inicial de 14 pontos do Irã, e que várias rodadas já ocorreram. Confirmou que o Irã 'recebeu os pontos de vista do lado americano e está analisando-os' e que a presença do ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, em Teerã visa facilitar essa troca de mensagens. Disse que o Irã negocia 'de boa-fé e com todas as forças', mas num clima de 'profunda desconfiança', dado o 'péssimo histórico' dos EUA no último ano e meio.
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