A PF investiga o Grupo Refit por lavagem de dinheiro e sonegação, com bloqueio de R$ 52 bilhões e suspeitas de blindagem política por Claudio Castro.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino para desarticular um complexo esquema de crimes financeiros envolvendo o Grupo Refit, sob o comando do empresário Ricardo Magro. A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção, peculato e ocultação patrimonial, focando na dissimulação de bens através de estruturas complexas, como offshores em Delaware e fundos de investimento. A ação, que cumpriu 17 mandados de busca e apreensão, atingiu o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, e resultou no afastamento de sete pessoas de suas funções públicas por ordem do STF. O caso está formalmente vinculado à ADPF 635, que investiga conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no estado.
Novos desdobramentos revelaram que o esquema contava com núcleos de influência institucional para viabilizar as fraudes. A Polícia Federal aponta que Claudio Castro teria facilitado a continuidade de práticas de blindagem fiscal em benefício de Ricardo Magro. Entre os indícios, destacam-se a edição da LC n. 225/2025, que teria favorecido empresas devedoras, e a interferência na Secretaria de Fazenda para substituir servidores rigorosos por nomes alinhados aos interesses da refinaria. A operação também teve como alvos o ex-secretário de Fazenda, Juliano Pasqual, e o subsecretário de Receita, Adilson Zegur. A defesa do ex-governador nega as acusações, sustentando que os atos administrativos seguiram critérios técnicos e que a gestão buscou a regularização dos débitos da empresa.
O impacto financeiro da operação é expressivo, com a Justiça determinando o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos e a suspensão das atividades das empresas do grupo. O Grupo Refit é classificado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz do país, com dívidas tributárias que superam R$ 26 bilhões, embora a empresa negue as irregularidades e afirme que os débitos são objeto de disputas judiciais legítimas. Em decorrência do avanço das investigações, o STF decretou a prisão preventiva de Ricardo Magro e determinou a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol.
O caso representa um desdobramento de uma série de operações iniciadas em 2025, como a Carbono Oculto e a Poço de Lobato. A situação de Magro, que reside atualmente em Miami, nos Estados Unidos, ganhou contornos de diplomacia internacional, com o caso sendo pauta de discussões sobre cooperação jurídica entre o Brasil e o governo do presidente Donald Trump. As autoridades seguem monitorando a movimentação do investigado no exterior para viabilizar o cumprimento das ordens judiciais, enquanto analisam os documentos apreendidos para detalhar a extensão da associação criminosa e o possível envolvimento de outros agentes públicos.
G1 Política • 15 mai, 11:30
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