A Polícia Federal (PF) deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, conhecida como Caso Master, investigando o senador Ciro Nogueira como o principal beneficiário de pagamentos mensais e outras vantagens do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A investigação aponta que Nogueira teria recebido entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês, além de ter tido viagens internacionais, hospedagens, voos privados e compra de participação em empresa com desconto custeados por Vorcaro. Entre as vantagens, destaca-se o custeio de hospedagens de luxo no Hotel Park Hyatt New York, com diárias que variam de R$ 10 mil a mais de R$ 130 mil. Há também indícios de recebimento de dinheiro em espécie pelo senador. Decisões judiciais revelam diálogos que indicam ligações econômicas entre Nogueira e Vorcaro, com discussões sobre pagamentos de despesas pessoais do parlamentar, incluindo contas de restaurante e viagens internacionais. Mensagens apreendidas pela PF mostram a proximidade entre os dois, com Vorcaro descrevendo Nogueira como "um dos meus grandes amigos de vida".
Em contrapartida, Nogueira teria "instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses privados de Vorcaro, apresentando projetos de lei como a Emenda nº 11 à PEC nº 65, conhecida como Emenda Master, que visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão. Essa emenda, elaborada por assessores do Banco Master, teria o potencial de 'sextuplicar' os negócios da instituição. A 'emenda Master' é um ponto central da investigação, com a PF apurando se o senador a propôs para beneficiar o banco em troca de vantagens financeiras ilícitas. Minutas de outros projetos legislativos de interesse do banco também teriam circulado da residência de Nogueira para seu gabinete. Investigadores encontraram vasto material, incluindo mensagens e análises de estruturas societárias, indicando um esquema refinado de lavagem de dinheiro. O ministro Alexandre de Moraes citou mensagens de Vorcaro indicando que o texto da emenda "saiu exatamente como mandei".
Recentemente, a Polícia Federal avaliou como insuficiente a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. A PF pode rejeitar a colaboração caso ele não forneça informações mais substanciais, uma vez que já há muitas provas e materialidade forte no caso. Fontes da PF indicam que o próprio celular de Vorcaro já contém informações relevantes, funcionando como uma 'delação' por si só. Há uma percepção de que Vorcaro tenta justificar fatos já conhecidos, em vez de colaborar ativamente para o esclarecimento do caso, e a PF observa uma divisão na estratégia de defesa do banqueiro. A delação está sob análise da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas investigadores consideram o material abaixo do esperado, com ministros do STF pressionando por ajustes no acordo e pela devolução integral dos recursos desviados. A Polícia Federal continua examinando milhares de arquivos apreendidos, incluindo mais de 8 mil vídeos de um celular de Vorcaro.
No âmbito da operação, o irmão do senador Ciro Nogueira, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, também foi alvo da Operação Compliance Zero, com mandados de busca e apreensão cumpridos em suas residências. A empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada por Raimundo, é investigada como um possível mecanismo para repassar vantagens financeiras a Ciro Nogueira. A PF suspeita que a compra de 30% da Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão, com valor de mercado de R$ 13 milhões, foi uma operação para transferir vantagem econômica ao senador. Medidas cautelares foram impostas a Raimundo pelo STF, incluindo proibição de contato com outros alvos, impedimento de deixar o Brasil e uso de tornozeleira eletrônica. Uma loja de motos ligada a Ciro Nogueira no Piauí também foi alvo de busca e apreensão. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, citou a viagem de Nogueira como justificativa para medidas cautelares, proibiu Ciro Nogueira de contatar investigados e testemunhas, e decretou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, com bloqueio de bens no valor de R$ 18,85 milhões. A defesa de Ciro Nogueira nega as acusações, afirma que ele está à disposição da Justiça e criticou as medidas investigativas, considerando-as graves e invasivas.
Em desdobramento recente, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), manifestou apoio à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas fraudes envolvendo o Banco Master. A defesa da CPI surge após a operação da Polícia Federal ter como alvo o senador Ciro Nogueira, que é o presidente nacional do partido Progressistas (PP).
G1 Política • 8 mai, 00:30
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