O endividamento das famílias brasileiras atingiu um recorde de 80,4% em março de 2026, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Este índice representa o maior nível já registrado desde 2015, com o crescimento mais notável entre as famílias de alta renda, especificamente aquelas com ganhos acima de 10 salários mínimos. O percentual inclui diversas modalidades de crédito, como cartão, cheque especial, carnê de loja, consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de bens.
Apesar do aumento no endividamento, a proporção de famílias inadimplentes manteve-se estável em 29,6% em março, embora tenha subido 1,0 ponto percentual em relação ao ano anterior. A CNC alerta que o endividamento continuará avançando até que os efeitos da flexibilização da política monetária cheguem ao consumidor final. Fatores como a taxa Selic, que, apesar de reduzida para 14,75% ao ano, permanece em patamar elevado, o encarecimento dos combustíveis e o conflito no Oriente Médio são apontados como contribuintes para a incerteza inflacionária, que pode reduzir o poder de compra e levar ao uso de crédito para despesas essenciais.
Diante deste cenário, o governo Lula estuda uma nova versão do programa Desenrola Brasil para renegociar dívidas. A proposta visa unificar dívidas, oferecer juros mais baixos e descontos de até 80%, com foco em famílias com renda de até três salários mínimos. A renegociação será feita diretamente com os bancos, com garantia de recebimento dos valores refinanciados por meio do Fundo de Garantia de Operações.
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