A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 6,405 bilhões em março de 2026, marcando o pior resultado para o mês em seis anos e ficando abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro, que projetava US$ 7,55 bilhões. O valor representa uma queda de 17,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. As exportações somaram US$ 31,603 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 25,199 bilhões. As exportações de março de 2026 aumentaram 10% em relação a março de 2025, com crescimentos notáveis na Indústria Extrativa (36,4%), impulsionada principalmente pelo petróleo bruto, e Agropecuária (1,1%). Contudo, houve uma queda significativa nas exportações de café (-30,5%). As importações também subiram 20,1% no mesmo período, com destaque para a Indústria de Transformação (20,8%) e um aumento expressivo nas importações de veículos (+204,2%).
No detalhe dos parceiros comerciais, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9,1% em março de 2026, totalizando US$ 2,894 bilhões. Esta é a oitava queda consecutiva nas vendas para os EUA, atribuída à sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump em meados de 2025. Em contraste, as exportações para a China cresceram 17,8% em março, atingindo US$ 10,490 bilhões, gerando um superávit de US$ 3,826 bilhões para o Brasil. No primeiro trimestre de 2026, as vendas para a China aumentaram 21,7%, com um superávit acumulado de US$ 5,983 bilhões. As exportações para a União Europeia subiram 7,3% em março, enquanto as vendas para a Argentina caíram 5,9% no mesmo período.
Apesar do desempenho mensal, o acumulado do primeiro trimestre de 2026 mostra um superávit de US$ 14,175 bilhões, um aumento de 47,6% em relação ao mesmo período de 2025. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mantém projeções otimistas para o ano, estimando um superávit de US$ 72,1 bilhões para 2026, um aumento de 5,9% em relação a 2025. Esta estimativa inclui exportações de US$ 364,2 bilhões e importações de US$ 292,1 bilhões. Herlon Brandão, do Mdic, destaca que, apesar dos desafios internacionais, indicadores internos e a resiliência do comércio exterior brasileiro sustentam essa projeção. As projeções oficiais da balança comercial são atualizadas trimestralmente, com novas estimativas para 2026 previstas para julho, e fatores como atividade econômica, câmbio e preços internacionais continuam a influenciar as projeções, que podem ser revisadas.
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