O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), atualizou a "lista suja" de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, adicionando 169 novos nomes. Entre os incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, elevando o total de empregadores na lista para 613. A atualização da lista resultou no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração entre 2020 e 2025, em 22 estados. O Cadastro de Empregadores é publicado semestralmente para dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo, e a inclusão ocorre após a finalização de processos administrativos com direito a ampla defesa.
A inclusão da BYD decorre do resgate de 163 trabalhadores chineses em sua obra em Camaçari (BA), que foram encontrados em alojamentos precários, com passaportes retidos, salários enviados para a China e jornadas exaustivas. A investigação do MTE concluiu que a BYD teve responsabilidade direta pela vinda irregular e pelas condições degradantes, jornada exaustiva e restrição de locomoção dos trabalhadores, que incluíam falta de higiene e alimentação inadequada. As autoridades brasileiras consideram a BYD responsável pelas condições dos trabalhadores, mesmo que contratados por terceiros. A montadora firmou um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) e duas empreiteiras após uma ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. A inclusão na lista prejudica a reputação da BYD e impede a obtenção de certos empréstimos de bancos brasileiros.
Amado Batista foi citado como proprietário de dois sítios em Goianápolis (GO), onde foram encontrados 14 trabalhadores em situação análoga à escravidão. As decisões administrativas contra os sítios do cantor foram oficializadas em agosto e novembro de 2025. A assessoria de Amado Batista informou que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado com o MPT e as obrigações trabalhistas já foram quitadas.
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