Ronaldo Caiado oficializa sua candidatura à Presidência pelo PSD, com apoio de Ratinho Jr. e promessa de anistia a Bolsonaro, enquanto o governo Lula prepara estratégias para enfrentá-lo.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD) nesta segunda-feira, 30 de janeiro. A confirmação foi feita por Gilberto Kassab, presidente do partido, que aposta no perfil combativo de Caiado para atrair eleitores de centro e direita. A coletiva de imprensa para o anúncio ocorreu às 16h, em São Paulo. A decisão do PSD de lançar Caiado, um nome tradicional da direita, visa explorar um espaço político em meio à atual polarização entre as figuras de Lula e Bolsonaro, apesar das baixas chances apontadas em pesquisas iniciais. Durante o anúncio, Caiado prometeu que seu primeiro ato, se eleito, será conceder anistia "ampla, geral e irrestrita" ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e fez críticas indiretas ao atual presidente Lula, mencionando a questão dos juros e o comentário sobre cachorros.
Durante o evento Banco Safra Macro Day, Gilberto Kassab justificou a escolha de Caiado como pré-candidato à Presidência da República pela maior chance de alcançar o segundo turno e vencer as eleições de 2026. Kassab expressou confiança de que Caiado vencerá a disputa no segundo turno, seja contra Lula ou Flávio Bolsonaro, e negou que Caiado seja uma "terceira via", preferindo o termo "alternativa aos brasileiros". Pesquisas de março indicam que Caiado tem 4% das intenções de voto no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, ele aparece com 32% contra 44% de Lula (Quaest) e 36% contra 46% de Lula (Datafolha). A escolha de Caiado pelo PSD ocorreu após a desistência de Ratinho Junior, que tinha melhor desempenho nas pesquisas. O presidente do PSD também aproveitou a ocasião para criticar os governos de Lula e Bolsonaro, apontando que Lula comprometeu o equilíbrio fiscal e Bolsonaro teve uma condução "lamentável" da saúde pública na pandemia.
A filiação de Caiado ao PSD ocorreu em 14 de março, após sua saída do União Brasil, movimento essencial para a concretização de sua postulação. A estratégia de sua campanha deve se basear em segurança pública, responsabilidade fiscal e políticas sociais. Entre suas propostas, destacam-se a defesa do protagonismo do Brasil na exploração e processamento de minerais críticos, como terras raras, com parcerias internacionais, e o combate rigoroso ao crime organizado e narcotráfico, integrando polícias estaduais e federais. Ele também critica o projeto de regulação da Inteligência Artificial no Congresso, defendendo um modelo de código aberto e inovação, além de sugerir a exportação do modelo educacional de Goiás e a transição de programas assistenciais para políticas de "emancipação".
O governador do Paraná, Ratinho Júnior, que havia desistido de sua pré-candidatura presidencial na semana anterior, declarou apoio a Caiado, destacando o processo interno e a aprovação de Caiado como gestor. Em contraste, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, expressou desencanto com a escolha do PSD, criticando a forma como a política é feita no país e a manutenção da polarização. Paralelamente, o governo Lula já prepara sua estratégia para enfrentar a candidatura de Caiado, utilizando táticas semelhantes às que seriam usadas contra Flávio Bolsonaro. A avaliação do governo é que Caiado reforçará o debate sobre segurança pública, e Lula planeja uma reação, incluindo a possível criação de um ministério específico.
Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, também comentou a decisão do PSD durante o J. Safra Macro Day. Haddad afirmou que Caiado não representa uma novidade na política brasileira, lembrando sua candidatura à presidência em 1989, e que seu discurso também não é inovador. Ele destacou a existência de dois blocos políticos fortes, liderados por Lula e Bolsonaro, mas ressaltou que sempre há espaço para alternativas no cenário político, citando Pablo Marçal como exemplo de alguém sem grande trajetória que quase alcançou o segundo turno em São Paulo. Gilberto Kassab também abordou a dinâmica interna do PSD para as eleições de 2026, prevendo que os candidatos do partido nos estados terão liberdade para apoiar diferentes nomes à presidência, incluindo Lula, Flávio Bolsonaro e o próprio Ronaldo Caiado. Ele justificou essa diversidade de apoios pela existência de coligações majoritárias no Brasil, citando o exemplo de Alexandre Silveira, ministro do PSD, que apoia Lula e se afastou da presidência do partido em Minas Gerais. Caiado, que possui alta aprovação em Goiás (88%) e já disputou a Presidência em 1989, reforça o campo da direita e, apesar de divergências passadas com Bolsonaro, prometeu anistia ao ex-presidente, apresentando uma plataforma de corte liberal, defendendo a livre iniciativa, economia de mercado e equilíbrio fiscal, com o objetivo de "acabar com a era PT".
InfoMoney • 30 mar, 17:37
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