Em seu primeiro discurso como pré-candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado demonstrou um claro afastamento do bolsonarismo e de Flávio Bolsonaro. O governador criticou a polarização política, buscando posicionar-se como uma alternativa moderada, fora do eixo lulismo-bolsonarismo. Ele também ressaltou a importância da ciência e tecnologia, reforçando divergências passadas com Jair Bolsonaro, e criticou indiretamente o desempenho da direita no governo federal, sugerindo falhas na consolidação do governo Bolsonaro. Apesar do distanciamento, o pré-candidato propôs anistia "ampla, geral e irrestrita" para Bolsonaro e seus apoiadores, caso seja eleito, citando Juscelino Kubitschek, buscando atrair o eleitorado conservador.
Caiado, que oficializou sua filiação ao PSD em 14 de março visando a candidatura presidencial, considera a polarização política no Brasil insustentável. Ele afirma que o brasileiro não possui um traço de personalidade polarizado e cita sua aprovação de 88% em Goiás como exemplo de gestão que busca a paz. A estratégia de Caiado é ocupar o espaço de oposição a Lula sem ser visto como uma "linha auxiliar" de Flávio Bolsonaro, com a campanha focando em sua experiência administrativa e em um perfil institucional, dialogando com empresários e o centrão que resistem ao bolsonarismo e não se alinham ao governo. As inserções de TV de Caiado já preparam o confronto direto com o governo, destacando os resultados de Goiás em segurança e buscando marcar posição própria na direita.
Simultaneamente, Caiado iniciou uma ofensiva para conquistar o eleitorado evangélico, escalando o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) como articulador principal para a campanha junto a igrejas e lideranças religiosas. A estratégia inicial prevê a participação de Caiado em convenções de pastores e encontros reservados, antes de visitas a grandes igrejas, visando apresentá-lo como uma alternativa viável dentro da direita, menos ligada ao bolsonarismo mais radical. O bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus, já declarou apoio a Caiado, e outras lideranças como Edir Macedo e Silas Malafaia estão no radar, embora haja uma percepção de que o espaço para candidaturas alternativas no eleitorado evangélico diminuiu, com a migração para o nome de Flávio.
Eduardo Leite não será candidato à Presidência da República em 2026, após o PSD escolher Ronaldo Caiado. Leite, que migrou do PSDB para o PSD em maio de 2025 e já havia tentado a candidatura em 2022, expressou desencanto com a decisão do partido, afirmando que ela mantém a radicalização política. Ele descartou uma candidatura ao Senado e deve permanecer como governador do Rio Grande do Sul até o fim do mandato, direcionando seu foco para as eleições gaúchas e trabalhando para eleger Gabriel Souza como seu sucessor. Caiado, que deve renunciar ao governo de Goiás para cumprir a desincompatibilização, junta-se a outros nomes na corrida eleitoral de 2026, como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (Democracia Cristã).
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