Um novo estudo revela que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar até seis vezes mais carbono por hectare do que a Amazônia, destacando sua importância subestimada no combate às mudanças climáticas.
Um estudo recente, liderado por Larissa Verona, aponta que áreas úmidas do Cerrado, como veredas e campos úmidos, podem armazenar significativamente mais carbono por hectare do que a Amazônia. A pesquisa, que realizou a primeira avaliação detalhada dos estoques de carbono nesses ambientes, coletou amostras de solo de até quatro metros de profundidade, revelando que o Cerrado pode estocar cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare, superando a densidade média da floresta amazônica. Testes de datação por radiocarbono indicaram que parte desse carbono é extremamente antigo, com registros de mais de 20 mil anos, devido à baixa decomposição em ambientes com pouco oxigênio.
O estudo ressalta a importância subestimada do Cerrado, o segundo maior bioma da América do Sul, para o clima global. No entanto, o bioma enfrenta ameaças significativas, como a expansão agrícola, a drenagem de áreas úmidas e a retirada de água para irrigação. Essas atividades podem liberar o carbono armazenado na atmosfera, transformando-o em gases de efeito estufa. Pesquisadores defendem a ampliação da proteção das áreas úmidas do Cerrado e o reconhecimento de seu papel climático, alertando que o bioma é frequentemente visto como um "bioma de sacrifício" para a agricultura.
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